quinta-feira, 22 de julho de 2010

Merenda escolar no rumo certo

Estudantes têm bufê com alimentos variados, a maioria vinda de produtores locais.

De Moacir Fritzen

Dois Irmãos no Rio Grande do Sul
Os alunos da rede municipal de Dois Irmãos já não fazem mais cara feia para frutas, hortaliças e legumes. Desde 2004, a prefeitura adotou programa para incluir alimentos produzidos por agricultores familiares na merenda escolar. A iniciativa virou tema de um artigo premiado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Os mais de 370 alunos participantes das oficinas do Projeto Global têm até um bufê à disposição. Na quarta-feira, o cardápio teve arroz, feijão, salsichão, aipim, alface, pera e banana. As próprias crianças se servem e têm direito a uma repetição.

Açougue para as escolas

Os alunos poderão ter cortes nobre de carne à disposição em breve. A carne não era comprada no município porque a maioria dos criadores não possuía abatedouros legalizados. "Temos que cuidar das condições sanitárias", reforça Rozane. Um acordo para que o abate do gado seja feito por frigoríficos e a carne volte a Dois Irmãos foi encaminhado. Um espaço será montado para a instalação de uma câmara fria e um açougueiro ficará responsável pelo serviço de cortar as peças. "Poderemos incluir a alcatra, o filé mignon e a picanha na merenda escolar", planeja a nutricionista.

Novos hábitos

Antes da inclusão dos alimentos produzidos por agricultores locais no cardápio da merenda escolar, a obesidade infantil em Dois Irmãos preocupava a nutricionista Rozane Márcia Triches. "Já conseguimos reduzir bastante os índices e mudar a alimentação das crianças", afirma. Os alunos Cleiton Prestes, 10 anos, Gian Luca Ane, 10 anos, e Tiago Encarnação, 9, aprovam a qualidade dos almoços servidos no Projeto Global. "Gosto de frutas", comentou Gian, enquanto saboreava uma pera.

Nada de sobras no prato

Os professores e as merendeiras conscientizam os estudantes para não deixar sobras e evitar o desperdício. As medidas de higiene pessoal antes e depois das refeições são obrigatórias. Os agricultores também são beneficiados. Em torno de dez famílias têm no fornecimento de produtos para a merenda escolar como a sua principal fonte de renda. Entre os gêneros alimentícios fornecidos estão leite e hortaliças. Ainda devem ser introduzidos o feijão, o melado e o morango.

O PRÊMIO

O trabalho, escrito pela nutricionista Rozane Márcia Triches e pelo professor da Ufrgs Sergio Schneider, foi primeiro colocado no segundo concurso de pesquisas sobre segurança alimentar promovido pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) – braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para a agricultura – e pelo Núcleo de Estudos e Pesquisa em Alimentação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Os autores receberão medalha e vão dividir a quantia de US$ 3 mil, em Santiago, no Chile

terça-feira, 20 de julho de 2010

Augusto Nunes - Contemplação do Brasil que presta

Uma valorização mais que exemplar dos produtos locais, comercializados por pequenos comerciantes e empresarios nos mercadinhos e quitandas no interior do Brasil.
Neste caso, no Estado de Minas Gerais.
Parabens!
Vale a pena assistir a curta entrevista...

Contemplação do Brasil que presta

terça-feira, 13 de julho de 2010

Madrugada no Atelier do Pão.




“Pão com manteiga no café” é tão primordial para nossa vida como sol raiar ao amanhecer.

Hoje nas padarias, o espaço reservado ao nosso pão de cada dia está invadido por mil e um produtos utilitários que sufocam o pequeno notável, e colocam em segundo plano a própria razão da sua real denominação.

Algumas delas parecem mais farmácias de manipulação, com seus vendedores fantasiados de enfermeiros, a boca coberta por um véu e as mãos embrulhadas em sacos plásticos recortados por dedos.

Será que os filhos das farinhas de trigo estão doentes ou os vendedores sofrem de um mal contagioso ou ainda temos ali produtos contaminados em manuseio?

Será necessário agredir a personalidade das pessoas que nos atendem em nome de uma pseudo-higiene e com uma postura anti-ecológica usando esses artifícios?

Tudo em nome da higiene; nada que um bom sabonete e uma escova de unhas não resolveriam ao dizer de um infectologista de renome nacional.

Na memória ainda adormecida, a visão dos campos de trigo de Cristalina dourando ao sol, seu corte mecânico e as máquinas separando os grãos para os homens e as hastes para o gado.

Fui assistir à fabricação do pão artesanal no atelier de uma padaria de Brasília. Duas da manhã, a farinha liberada dos sacos se junta à água gelada e ao fermento na medida certa para iniciar uma longa sessão de massagem por meio de braços mecânicos até formar uma bela massa homogênea cujo canto surdo anuncia ao artesão padeiro que ela está precisando descansar.

Enquanto ela repousa, o padeiro prepara outras receitas, com misturas, farinhas, texturas, sabores com variedades de grãos, farelos, frutas secas, com ovos, leite, manteiga, com inspiração e muita dedicação.

O boulanger estava atarefado nas preparações, com sua equipe, um ao lado do outro, os artesãos do pão, num sincronismo geminiano, dividiam a massa-mãe em pequenas porções os pâtons pesando cada um e alinhando todos na mesa de trabalho.

Duas mãos, dez dedos, cada com sua função, achatavam e dobravam os pâtons em três no comprimento, apertando-os delicadamente, uma vez com a ponta dos dedos, depois de dar meia volta, deixavam seu dedão correr por dentro da dobra enquanto fechavam a emenda, outra hora com a palma da mão aprisionando o ar necessário para deixar a leveza e toda a sutileza dos segredos da sua confecção.

A massa da baguette parisienne, depois de dividida esticada e rolada, fica deitada por horas, num pano de linho rústico apelidado de couche armazenada em prateleiras, numa estufa, verdadeira incubadeira, para descansar e crescer em silencio e protegida, na temperatura e umidade ideais.

Quando chegam à maturidade, assinados na ponta do estilete, grigne, eles são enfornados por lotes diretamente sobre a pedra do forno, para sair assados, com a sola firme, escura e uma crosta dourada e crocante.

Esse pão artesanal levado à boca libera sua personalidade e provoca um duelo de sabores entre o levemente amargo da crosta torrada e a suave textura do seu miolo, uma verdadeira comunhão entre a terra e o céu.

A loja abre, os clientes entram para escolher seus pães, a refeição que vai transferir a energia para ritmar o dia.

Com os olhos sorrindo, os artesãos do pão admiram suas criações, felizes de ter um oficio que lhes proporciona prazer e orgulho para todos aqueles que sabem diferenciar e valorizar o produto de qualidade.