quinta-feira, 15 de março de 2012

Parabens Ana Soares

14 de março de 2012

Mesa III ficou 'maior'

Instalada num galpão amplo e envidraçado, a rotisserie da chef Ana Soares tem agora autosserviço, vitrines recheadas de antepastos, assados e sobresas, pães e focaccias, além de alguns produtos para degustação

Nana Tucci - Especial para o 'Estado'

Perto de atingir a maioridade, a rotisseria mais famosa da cidade, a Mesa III, da chef Ana Soares, finalmente perdeu a timidez. Mudou-se para o vizinho, trocando o balcão apertado por vitrines convidativas, geladeiras em que o próprio cliente se serve e um belo salão envidraçado com espaço para degustações.
Brilhantes tomates confitados, pudim de brioche com frutas secas, tatin de tomate seco, salada de grãos com trigo, nozes e confit de limão siciliano, torta de berinjela recheada com abobrinha, pimentão e azeitonas, bacalhau e franguinho assado a lenha. Tudo ali, fresco e artesanal, disputando espaço na vitrine.
Olhou, gostou? Se der sorte, pode provar antes de levar. Haverá degustações diariamente de produtos expostos nas duas mesonas de mármore que ocupam as laterais do salão.
A ideia é ajudar as pessoas a montar menus completos, do petisco à sobremesa. “Se eu pudesse ficava só aqui, dizendo, ‘pega este molho, mistura com aquele ali, e com aquele outro’”, confessa Ana Soares, com agenda lotada entre a rotisseria e consultoria a dezenas de restaurantes. Para quem prefere se servir sozinho, a nova loja também facilita: é só escolher a massa, o molho e pegar na geladeira.
Outra novidade são as embalagens “retornáveis” para alguns pratos já montados, como as lasanhas. Para levar o pirex para casa o cliente paga um depósito (R$ 40). Se quiser, fica com ele. Se preferir, devolve-o e recebe o dinheiro de volta.
A nova Mesa III não vende apenas coisas “de comer”, mas também “para comer”, como as colheres de madeira e inox confeccionadas pela joalheira Emi Hirata e as louças da grife brasileira Origin. Além de aventais e guardanapos de linho.
Instalada no lugar de um antigo depósito de bebidas, a loja levou um ano para ficar pronta, com projeto de Felipe Crescenti - e o dedo, claro, da também arquiteta Ana Soares, que em 2012 comemora 20 anos de cozinha.
Onde fica
Mesa III
R. Alves Guimarães, 1.474, Pinheiros, 3868-5501
http://www.mesa3.com.br/

domingo, 19 de fevereiro de 2012

REsp Receitas Especiais


Acabo de receber o livro REsp-Receitas Especiais da Ministra Eliana Calmon com uma simpática dedicatória.
Lendo as diversas receitas  viajei na saudade da nossa Ofélia nacional, figura carismática e pioneira que  apresentava diariamente na decada dos 80 um programa de culinária na TV para ajudar as donas de casa na realização de receitas diversas nas suas tarefas culinarias.
O mérito dessa publicação comprova a praticidade feminina, no bom senso  e na facilidade de compreenção e de realização das receitas onde destaco  dois capitulos: receitas sem glúten para os cilíacos e dicas importantes.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Suplicy Café

Velejadores do mundo trazidos por bons ventos da Bahia aportaram nesses dias em águas calmas e serenas.
Avisado de que eles queriam conhecer a mega cosmopolita capital do Estado, acompanhei-os em alguns pontos saborosos da cidade. Almoço com arroz de pato criativo, um deles se arriscou na “Brandade de pseudo-bacalhau” no Adega Santiago, outros almoçaram Namorado com crosta de castanha do Brasil no Sal Gastronomia . Depois um giro pelo Santa Luzia para abastecer suas cestas de mil e um sabores  para os próximos dias no mar. Encantados com a qualidade, a variedade  e o atendimento do lugar, fomos tomar café numa casa atraente na Alameda Lorena.
Entramos na fila, na nossa frente um gringo fazia o seu pedido no balcão, dois cafés expresso 8,60 R$, estamos no Jardins não é? O caixa recebeu uma nota de vinte reais e devolveu o troco sobre dez reais, o turista ficou esperando o que faltava até insistir em cobrar do caixa os 10 reais faltando. Episódio bem desagradável para quem estava acompanhando forasteiros na casa.Ele levou a bandeja com café e copinho de água com gás até uma das mesas. Tomou o primeiro gole e limpou em seguida a boca num guardanapo de papel, deixando um rastro de pó de café no papel. Sentado na sua cadeira, chamou a balconista e se queixou do acontecido, mas a moça, com olhar perdido, parecia não entender, até ele exclamar que ele não tinha pedido um café Turco mas bem um expresso. Qualquer casa de renome teria simplesmente apresentado suas desculpas e trocado o café.  Tudo ao contrário, um senhor que parecia o responsável pelo lugar chegou na mesa com uma xícara de chá vazia e, num malabarismo remetendo ao trabalho de um sommelier apresentando um grand Cru, tentou demonstrar que não tinha borra de café no expresso. Mudo e demostrando uma certa irritação, o turista mostrava o guardanapo de papel sujo de borra. Aí veio a frase do energúmeno: é tão pouco, dá para tomar. O ex-cliente se levantou deixando, com toda razão, o espaço onde, pela segunda vez, foi destratado e enganado. Qualquer casa especializada em café sabe que precisa fever mais de uma vez a água com o café para deixar assentar o pó, até a cafeomanciate  que lê o futuro na borra de café sabe disso.

O episódio vivido desencadeou um relato dos viajantes: que, embora admirassem as costas brasileiras, as belezas da natureza e a simpatia do povo, não voltariam nunca ao Brasil por terem sido sempre enganados, em todos os lugares por onde passaram, testemunhando uma malandragem institucionalizada.
Marketing pode ser um meio de divulgar pacote de turismo no país afora? E no exterior?
Mas o boca a boca é que vale mesmo para o turismo sustentavel.
Pelo jeito essa aventura será levada aos quatro ventos.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Recebi de um morador de Santo Antonio do Pinhal/SP

Sem tomar as devidas providências,fotografo enviou para o Blog algumas fotos registrando a evolução das obras depois de se queixar ao fiscal da prefeitura sobre invasão de calçada e construção irregular e perigosa no centro da cidade.





Posted by Picasa

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Carlos Alberto Dória recomenda

Se você é daquelas pessoas que gostariam de se dedicar um pouco mais a estudar e compreender a gastronomia atual, quero lhe sugerir o curso a seguir:

http://www.sp.senac.br/jsp/default.jsp?newsID=DYNAMIC,oracle.br.dataservers.CourseDataServer,selectCourse2&course=2694&template=397.dwt&unit=ACL&testeira=724&sub=0

Fui professor das primeiras edições do curso e posso testemunhar que os alunos ficaram muito satisfeitos com toda a programação, e criaram uma rara camaradagem entre eles. O mercado de gastronomia está voltado, em geral, para a formação de cozinheiros e chefs, desprezando esse nicho valioso de pessoas que, além dos profissionais da área, também possuem uma relação intelectual com o tema (jornalistas, economistas, psicanalistas, historiadores, etc) e não tem muito onde estudar de forma organizada, ou discutir sistematicamente o métier.

É uma oportunidade ímpar. E tem uma "vantagem" sobre as edições anteriores: será na Aclimação, e não em Santo Amaro, onde muitos não conseguiam chegar após o trabalho. Enfim, muita gente me pergunta onde se aprofundar em gastronomia. Nunca tenho o que dizer, senão apontar para o exterior. Agora, o que tenho a indicar é esse curso. Além do seu eventual interesse pessoal, tenha a gentileza de divulgar entre os seus conhecidos.

Abraços

Carlos Alberto Dória

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Estou curioso para ler o livro da Ministra Eliana Calmon

19/01/2012
Em guerra com STF, ministra lança livro de culinária
Marcelo Justo - 17.out.2011/Folhapress
A guerra com meia cúpula do Judiciário para preservar os poderes de investigação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) não fez a ministra Eliana Calmon descuidar de temas mais amenos.
Nesta semana, ela lança a 9ª edição do seu livro de culinária, o "REsp - Receitas Especiais". O título é um trocadilho bem humorado com a abreviação dos recursos especiais julgados no STJ (Superior Tribunal de Justiça), que ela integra desde 1999.
Apaixonada pela cozinha, Eliana acrescentou novas receitas à obra, que chegou a 367 páginas. Ela também dá dicas sobre alimentação light e ensina como receber convidados.
Os interessados no livro podem encomendá-lo no gabinete da ministra, a R$ 30. Como nas edições anteriores, ela doará tudo o que arrecadar a uma entidade beneficente: a creche Vovó Zoraide, em Uberaba (MG).
Escrito por Bernardo Mello Franco às 20h48

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

FHC,o presidente dos brasileiros

Mais segurança pessoal, menos desigualdade
Fernando Henrique Cardoso, entrevista a The Economist online, 19/01/12
Em 12 de janeiro o chefe da nossa sucursal em São Paulo entrevistou Fernando Henrique Cardoso, presidente do Brasil de 1995-2002, no Instituto FHC. Eles discutiram os desafios do Brasil e seu poderio global crescente. Você pode clicar abaixo [no site da revista] para ouvir a conversa, ou ler a transcrição completa a seguir.
The Economist: Podemos começar pela maneira como a posição do Brasil no mundo está mudando? O Brasil parece estar tentando criar um novo tipo de poder mundial – um “soft power”.
Cardoso: No século passado a economia do Brasil cresceu muito consistentemente até 1980. Só o Japão cresceu mais depressa em termos per-capita. Daí em diante o Brasil tem sempre procurado novos papéis. Na cabe do povo brasileiro, somos um gigante. Mas nosso tamanho, por muito temp ele foi uma ilusão. Nós ainda não temos capacidade de desempenhar um papel importante. Ficamos o tempo todo imaginando o que poderíamos vir a ser.
O Brasil aspirava ser parte do grupo central da Liga das Nações; depois da Segunda Guerra Mundial o Brasil levantou essa possibilidade de novo [durante a criação das Nações Unidas]. Churchill vetou, dizendo que as Américas não poderiam falar com duas vozes. Churchill errou. Assim, nós sempre aspiramos um papel importante.
No século XIX, por causa do confronto entre Espanha e Portugal, nós nos envolvemos em guerras no Sul, e o império brasileiro foi percebido por nossos vizinhos como uma ameaça. Depois o eixo deslocou-se para os Estdos Unidos e o Brasil virou uma República e muito mais acomodado – e novamente hesitou. Até que ponto deveríamos desempenhar um papel hegemônico na região? Nunca assumimos esse papel. Preferimos ser amados a ser temidos.
No fim do século passado, a economia recuperou o vigor, estabelecemos tradições democráticas e redescobrimos nossas peculiaridades culturais. Isso nos deu uma sensação de que talvez pudéssemos desempenhar um papel na área da “soft politics”: não apenas por sermos economicamente fortes, mas também por causa da nossa capacidade de aceitar os outros, de sermos tolerantes. Nós gostamos de nos considerar sem preconceitos, como uma democracia racial. Não é inteiramente verdade, mas é uma aspiração com alguns ingredientes de realidade. Porque de fato nós somos mais tolerantes do que vários outros países.
Compare os Estados Unidos e o Brasil. Ambos são países construídos com base na imigração, nas no Brasil os imigrantes se integraram mais, e o que é mais impressionante é que as culturas se fundiram. Não temos uma cultura negra no Brasil, e uma cultura branca. Não tem sentido no Brasil falar de cultura negra: ela é a nossa cultura.
E nós aceitamos a variedade religiosa. Não somos intolerantes – os brasileiros são sincretistas, não fundamentalistas. E porque somos um país de imigrantes, temos contato com diferentes partes do mundo. Muitos brasileiros são japoneses e talvez mais de 10 milhões são árabes. Mais que isso são alemães. Não há outro país no mundo com mais italianos, em números absolutos. E tudo isso se fundiu. Nós nunca sabemos exatamente qual é nossa ascendência.
O Brasil sempre foi a favor do multilateralismo, em vez de relações bilaterais, e de tentar negociar, lançar pontes. A diplomacia brasileira se baseia nisso. Nós precisamos olhar para o Sul, para a bacia do Rio da Prata, e para os Estados Unidos; relacionarmo-nos tanto com os Estados Unidos quanto com o Sul.
Há elementos de flexibilidade na cultura brasileira que têm origem em Portugal, não só no Brasil. Se você comparar os portugueses e os holandeses na África, é bem diferente. Os portugueses sempre tiveram relações sexuais com os nativos.Há uma frase que eu gosto de repetir quando estou na Espanha. No século XVIII, o Marques de Pombal [Sebastião José de Carvalho e Melo, o primeiro ministro do Reino de 1750 a 1777] escreveu uma carta para seu irmão, o vice-rei do Norte do Brasil, dizendo: temos que estimular os portugueses a se casar com mulheres indígenas, porque é melhor ter meio português do que um espanhol! Eles estavam enfrentando os espanhóis e se preocupavam com a questão demográfica. Sentiam que essas crianças eram, de algum modo, portuguesas. Isso não é comum no mundo hispânico, eles se mantinham mais separados.
Então, no Brasil, a classe dominante em geral tentava disfarçar o fato de que a desigualdade era tão grande. Uma das maneiras de disfarçar as diferenças é tratar as pessoas como se elas fossem mais próximas do que realmente são, falar como se fôssemos iguais. Até certo ponto, isso é um engodo, mesmo que as pessoas não se dêem conta; é uma maneira de manter as diferenças sem provocar uma reação forte. A parte tradicional da classe dominante no Brasil será sempre amena, gentil, pedindo sempre “por favor”, em vez de mandar. Com a nova burguesia não é assim: eles são muito mais arrogantes do que os grupos da elite tradicional do Brasil. São diferentes – mais capitalistas.
The Economist: Vamos falar das mudanças sociais. O Brasil mudou muito nos últimos anos.
Cardoso: O divisor de águas foi a nova Constituição. O começo foi a luta contra o regime militar e as greves. A nova Constituição foi o batismo de uma nova sociedade.
The Economist: Ainda está mudando. Esta República é jovem; a Constituição foi escrita apenas em 1988. Vocês ainda estão ajustando suas instituições. Você participou do processo de construção de instituições, possivelmente o mais importante agente desse processo.
Cardoso: O sentido institucional sempre foi muito presente no Brasil, em comparação com outras partes do Novo Mundo. A monarquia portuguesa era estável, e somos herdeiros da coroa portuguesa. Todas as instituições chegaram aqui com o rei de Portugal e o Rio [de Janeiro] tornou-se a capital do Império português. Ao mesmo tempo, esta é uma sociedade altamente desorganizada! É difícil combinar estes fatos: que temos instituições e ao mesmo tempo estamos sempre dispostos a desobedecê-las. É a flexibilidade – o “jeitinho”. Isso é bom e ruim. Em certos aspectos nossa legislação é ótima mas a prática é um desastre. Por exemplo, temos regras muito estritas sobre a conduta dos funcionários públicos e políticos, e sobre o dinheiro público. E apesar disso a corrupção está aí.
The Economist: A corrupção está aumentando?
Cardoso: Sempre tivemos algum grau de corrupção, aqui e ali, mas o sistema não era corrupto. Agora o sistema permite a corrupção como um ingrediente normal. Todos sabem que quando você organiza um governo você tem que partilhar poder com os partidos. Mas você não está partilhando poder, você está partilhando oportunidades de ter bons contratos.
The Economist: Não foi esse o caso para você?
Cardoso: Não, não, não. Talvez num ou outro caso, mas agora o sistema inteiro está baseado nisso. Isto é novo. É uma evolução muito ruim. Na cultura política, a flexibilidade tornou-se, não flexibilidade, mas tolerância com o crime. Você tem instituições, tem tribunais, mas ninguém está na cadeia.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O emblema da impunidade por José Serra


Foi no meu gabinete de senador, em 1997, que conheci a médica Ceci Cunha, levada pelo meu então colega Teotônio Vilela. Tratava-se de uma simples visita. Ela tinha sido a primeira mulher eleita deputada federal por Alagoas, em 1994. Era do PSDB.
Seu trabalho parlamentar se orientava por dois compromissos: fortalecimento das políticas sociais voltadas à saúde e à educação e apoio ao desenvolvimento do seu estado e do agreste alagoano, pois fora eleita pelo maior município da região: Arapiraca.
A conversa foi agradável e começou de forma divertida, com o Teotônio dizendo que a estava trazendo para conhecer um paulista importante e que a ajudaria nas suas lutas para levar apoio e iniciativas a Arapiraca.
Eu respondi mais ou menos assim: “Olhe, Ceci, isso é conversa do senador. Em São Paulo, eu não sou da classe dominante. Aqui no Senado, não sou o líder do meu partido, não participo da Comissão de Orçamento nem sou tão popular como o Téo entre os colegas. Ele só está querendo impressioná-la. Mas eu é que vou lhe pedir ajuda para meus projetos que estão na Câmara…” Caímos os três na risada.
Dedicamo-nos, em seguida, a conversar sobre Alagoas, sua terrível situação financeira na época, e sobre o agreste, seus dramas e seu potencial inexplorado. Falei-lhe um pouco dos projetos que desenvolvi para o Nordeste no tempo em que chefiara o Ministério do Planejamento, como o Pró-Água e o Prodetur, mas sobretudo procurei aprender sobre seu estado e sobre os serviços da saúde, cuja realidade ela tão bem conhecia.
Pois não é que, no dia 31 de março de 1998, assumi o Ministério da Saúde, meta que nunca havia passado por minha cabeça? É evidente que o Teotônio Villela tivera alguma premonição ao apresentar-me a deputada e ginecologista do agreste alagoano.
Acolhi-a rapidamente no ministério, sabendo que iria receber diagnósticos e propostas confiáveis. Torci por sua reeleição, que era naquele ano, e a encontrei depois, feliz da vida, e vindo cobrar o atendimento de reivindicações pendentes.
Mas foi a última vez que a vi. De forma estúpida e cruel, ela foi simplesmente fuzilada na noite do dia da diplomação dos eleitos, 16 de dezembro. Além dela, foram assassinados seu marido, seu cunhado e a mãe do seu cunhado, todos na varanda da casa de sua irmã, que ela fora visitar.
Tratou-se de uma execução, ordenada pelo primeiro suplente de deputado, que desejava assumir como titular. Enviou três capangas.
Ele assumiu mesmo o mandato, mas foi rapidamente cassado pela Câmara Federal, em 7 de abril de 1999, tornado inelegível e preso no dia seguinte. Mas conseguiu sair em março de 2000, passando, junto com os capangas, a responder pelo processo em liberdade, apesar de todas as evidências de culpa.
Pois bem, o julgamento será agora, nesta segunda-feira, 16 de janeiro de 2012, no Fórum da Justiça Federal do estado.
O que aconteceu desde a chacina constitui um caso apropriado didático para cursos de direito: como assassinos podem conseguir ser julgados em primeira instância somente treze anos depois do seu crime!
A culpa por esse absurdo não é dos juízes nem dos procuradores de justiça. É da legislação que favorece a impunidade. Discussões sobre qual seria a Justiça competente, a federal ou a estadual, e recursos interpostos sem fim, arrastaram o caso até agora.
Já houve oito decisões de enviar os criminosos para o júri, sempre adiadas pelo uso e abuso de recursos e manobras. E vejam só: a decisão será de primeira instância, cabendo recurso a tribunais superiores.
Mas a definição dos jurados de Maceió é fundamental para que, em breve, os dois filhos do casal possam exclamar: justiça foi feita!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Vale ler na integra: Maiores em conflito com a lei

O Estado de São Paulo de 11 de janeiro de 2012


Eduardo Graeff, cientista político, foi secretário-geral da Presidência da República (Governo Fernando Henrique Cardoso). Blog: www.eagora.org.br - O Estado de S.Paulo
A lei exige transparência no trato da coisa pública, mas o costume ampara quem leva vantagem. A tensão entre esses dois princípios é o pano de fundo da novela da corrupção que se arrasta, há anos, diante dos nossos olhos.
Do fim da censura à imprensa, em 1978, passando pela Constituição de 1988, até a criação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2004, e a Lei de Acesso à Informação recém-sancionada, o Brasil muniu-se de praticamente todos os instrumentos legais necessários para a gestão democrática, transparente e responsável do Estado.
Por que, então, prevalece a sensação de que a corrupção aumentou, em vez de diminuir?
De um lado, porque as instituições funcionam. A imprensa toca o alarme, a polícia, as comissões parlamentares e os tribunais de contas investigam, o Ministério Público denuncia, a Justiça instaura processos. Tudo isso gera notícia e aumenta a percepção pública de irregularidades, que antes da democratização ficariam escondidas. De outro, porque as instituições não funcionam como deveriam: expõem a corrupção, mas raramente chegam à punição dos culpados.
Oito anos depois de aparecer num vídeo achacando um, por assim dizer, bicheiro, Waldomiro Diniz, então subchefe da Casa Civil, ainda não foi formalmente acusado - responde a processos, mas por outros fatos. O número de servidores federais demitidos por improbidade aumentou bastante depois da criação da Corregedoria-Geral da União, em 2001. Mas o risco de um servidor demitido sofrer alguma sanção penal é de apenas 3%, constatou Carlos Higino Ribeiro de Alencar num estudo sobre a eficácia da Justiça no combate à corrupção.
Para o mau funcionamento das instituições há remédios legais. Alguns já aplicados, como a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal. Outros em discussão, como a "PEC dos Recursos", defendida pelo ministro Cezar Peluso. Se eles tiverem o efeito esperado, de desemperrar as engrenagens da Justiça, a impunidade pode diminuir e com ela, em alguma medida, a corrupção.
A corrupção e a impunidade têm outras causas, porém, mais culturais do que institucionais. A nossa herança patrimonialista, morta e enterrada na letra da lei, ainda vive na prática. Agentes públicos comportam-se como se fossem donos de pedaços do Estado. Os apadrinhados, movidos pela lealdade ao chefe político, acima de tudo. Os concursados, blindados por seus direitos adquiridos, começando por uma estabilidade no emprego equivalente à vitaliciedade que outros países reservam aos membros do Judiciário. Uma consequência direta disso é a manutenção de privilégios legais, mas injustificáveis. A obtenção de vantagens ilegais é um efeito secundário inevitável. Quem não vê nada de errado em lesar o público por uma coisa não se deve escandalizar tanto com a outra.
O aprendizado democrático da sociedade pode apertar o cerco aos privilégios encastelados no Estado. A aplicação contínua e mais rigorosa da lei pode diminuir a tolerância com a corrupção. Em que prazo? Não sei. Mas se já investimos tantos anos nessa possibilidade, mais vale insistir do que desistir antes de ver resultados.
A função pedagógica da lei, contudo, não depende somente de bons textos. Requer bons professores: lideranças, autoridades que deem lições de integridade pelo exemplo de seus atos, mais do que palavras.
Acontece que a maioria dos exemplos vindos de cima nos últimos anos transmite a lição oposta: a de que levar vantagem à custa do erário pode ser não apenas tolerável, mas defensável, se for pelo partido, pela classe ou pela causa certos. Se figuras de proa da República dão um jeito de driblar ou torcer a lei em proveito próprio, o que esperar dos seus subordinados?
O conflito entre a magistratura e o Conselho Nacional de Justiça escancarou essa tensão ali, onde as suas implicações são mais dramáticas. Acredito que a maioria dos juízes cumpra a lei com o mesmo rigor com que a aplica. Mas a força com que seus representantes esperneiam contra a fiscalização dos atos administrativos dos tribunais indica que eles ainda não incorporaram realmente, profundamente, o princípio da transparência democrática.
Manter ou limitar as funções de fiscalização do Conselho Nacional de Justiça tem tudo para vir a ser um desses atos exemplares, capaz de acelerar ou atrasar a mudança de mentalidades, além de fixar jurisprudência. Prestação de contas é uma obrigação que vale para todos os agentes públicos? Ou ela admite ressalvas quando os guardiães da lei estão em causa? Queira ou não a nossa Corte Suprema, é assim que sua decisão será entendida pelo público e pelos próprios magistrados.
Ironia ou armadilha da História: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz jus ao título de pai do CNJ, dentro da reforma do Poder Judiciário que ele estimulou. Ao mesmo tempo, Lula carrega o estigma - do qual gostaria de se livrar - de padrinho do mensalão, o maior escândalo de corrupção destes anos, que o Supremo Tribunal Federal também está em via de julgar. O legado institucional da sua Presidência estará em causa no julgamento dessas duas, digamos, realizações tão contraditórias. A própria composição do Supremo Tribunal Federal leva a sua marca, aliás - na medida em que Lula nomeou a maioria dos seus integrantes.
Transparência ou opacidade da Justiça? Punição exemplar ou prescrição penal para os mensaleiros? Não sei para que lado Lula usará a influência que inegavelmente tem nesses dois julgamentos. Prefiro nem pensar.
Os próximo capítulos da nossa novela política serão emocionantes, em todo caso.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

2012 começou bem!

Meus votos de sucesso e apoio para 2012 vão para a corregedora nacional de Justiça,Eliana Calmon, na sua cruzada contra os corruptos do Judiciário.


Não é limitando os poderes do CNJ que se resolve os problemas de corrupção no corporativismo judiciário.


Destaque hoje a coluna de Dora Kramer
Um ano inusitado

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O "creme" pode azedar !!!

"O PAÍS (GOVERNO DILMA) ESTÁ À DERIVA"!

Marco Antonio Villa- historiador, professor da Universidade Federal de São Carlos - Folha de SP (17).

1. Neste ano ficou provado, mais uma vez, que o presidencialismo de transação é um fracasso. A partilha irresponsável da máquina pública paralisou o governo. A incapacidade de gestão -já tão presente no final da Presidência de Lula- se aprofundou. A piora do quadro internacional não trouxe qualquer tipo de preocupação para o conjunto do governo.

2. O governo brasileiro mantém-se como um observador passivo, e demonstrando até certo prazer mórbido com os problemas europeus e com a dificuldade da recuperação dos Estados Unidos. Como se não pudesse ser atingido gravemente pelos efeitos de uma crise no centro do sistema capitalista.

3. O país está à deriva. Navega por inércia. A queda da projeção da taxa de crescimento é simplesmente uma mostra da incompetência. Mas o pior está por vir. Não foi desenvolvido nenhum plano para enfrentar com êxito a nova situação internacional. Tempo não faltou. Assim como sinais preocupantes no conjunto da economia e nas contas públicas. A bazófia e o discurso vazio não são a melhor forma de enfrentar as dificuldades. É fundamental ter iniciativa, originalidade, propostas exequíveis e quadros técnicos com capacidade administrativa, mas o essencial é mudar a lógica perversa deste arranjo de governo.

4. Dizendo o óbvio -que na nossa política nem sempre é evidente-, o objetivo do governo não é saciar a base de sustentação política com o saque do erário, como vem ocorrendo até hoje. Deve ter um mínimo de responsabilidade republicana, pensar no país, e não somente no projeto continuísta.

Prêt à jeter - Obsolescence Programmée

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

The Economist: Foie-gras production

Foie-gras production
How much is too much?
Why some duck livers are delicious, and others nasty
Dec 3rd 2011 | from the print edition
FOIE GRAS is one of the most controversial dishes on earth. To protagonists, it is simply the finest foodstuff that exists. To those opposed, it is a product of cruelty that is not far short of criminal. The overfeeding of ducks and geese, so that their livers bloat to between six and ten times their normal size and take on a buttery consistency valued by gourmets, exploits the ability of these birds to store large amounts of calorie-rich fat, which was needed to propel them on the long migrations that their wild ancestors would routinely have undertaken. The moral argument over the way foie gras is produced (by feeding the birds with grain, through a tube or a funnel) turns on whether this is merely the permissible exaggeration of a natural inclination, or is tantamount to abuse. Intriguingly, a newly published piece of research on foie-gras production suggests the quality of the product depends on exactly the same distinction.

From the chef’s point of view, one of the disturbing things about foie gras is how variable it is. Some livers, when cooked, retain their fat and thus their rich flavour. Others lose fat when heated and end up tasting terrible. To try to work out why, Caroline Molette, a biologist at the University of Toulouse, did some experiments. Her results, just published in the Journal of Agricultural and Food Chemistry, suggest that the difference is whether the liver in question is truly healthy or not.

In this section
The fat of the land
The hare and the tortoise
»How much is too much?
Boom and bust
ReprintsDr Molette and her colleagues raised 150 male mule ducks (a cross between Pekin and Muscovy ducks that is often used to produce foie gras) for 13 weeks in standard poultry-house conditions and then transferred them into individual enclosures. For a further 12 days the birds were fattened up with a mash of grain and flour—the usual procedure for enlarging their livers. They were then slaughtered, their livers removed, and those livers immediately trimmed of their blood vessels and chilled for six hours.

So far, so normal. But instead of cooking the whole things, Dr Molette removed a 200-gram sample from each liver (an average liver weighed 550 grams) and put the rest in cold storage. She then placed each sample into a jar with a bit of salt and pepper, and cooked it for an hour. As she expected, some livers released a lot of fat when cooked while others released little. Armed with this information, she was able to turn her attention back to the uncooked sections of the livers and see if she could find any systematic chemical differences between them.

Using a combination of electrophoresis (which sorts proteins according to their size and electrical properties) and mass spectrometry (which sorts fragments of those proteins according to their weight), she was able to do just that. The upshot was that the fat-retaining livers were rich in a variety of proteins known to help the body digest and store food. In the fat-shedding livers, by contrast, she found high concentrations of a protein called fatty-acid-binding-protein 4. In a human liver, this would be a marker of disease. Put simply, the fat-retaining livers are healthy while the fat-shedding ones are not.

Both sides of the debate, then, are right. Foie-gras production can be a form of abuse but is not necessarily so, for an enlarged liver can still be healthy. The question is, how do you draw the line?

Dr Molette’s ducks were all treated similarly, and their livers were of more or less the same size (certainly, the fat-shedding ones were not systematically heavier). The search is therefore on for some way to tell in advance which animals will respond positively to extra helpings and which will not. That knowledge would help farmers, gourmets and animal-lovers alike.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Brasil brasileiro

Janaina Fidalgo - O Estado de S.Paulo
SAN SEBASTIÁN - Querendo ser local, mas mantendo os "poros abertos para o global", a vanguarda da gastronomia espanhola abriu espaço nesta edição do San Sebastián Gastronomika, encerrada ontem no País Basco, para uma lufada de ar fresco de três "cozinhas emergentes": Brasil, México e Peru.

Divulgação
Brigada cabocla. Entre os integrantes, Claude, Roberta, Rodrigo, Helena. Alex e Thomas: pela primeira vez uma delegação de chefs brasileiros vai unida a um congresso de gastronomia

Foi a primeira vez que uma delegação de chefs brasileiros viajou junta a um congresso de gastronomia. E a estreia coletiva, num momento em que muito se falou sobre a necessidade de haver uma integração mundial entre os cozinheiros, não poderia ter sido mais simbólica. Teve como cenário essa cidade que, ainda que pequena, tem três triestrelados Michelin - Arzak, Akelarre e Martín Berasategui.

"A cozinha brasileira está com uma saúde que nunca teve. É impressionante como subiu em poucos anos e a passos largos", disse Berasategui ao Paladar. "O que o Brasil tem de forte neste momento é o fato de diferentes gerações de cozinheiros estarem vestindo a mesma camisa. Isso faz com que tenha uma das mais importantes cozinhas do mundo."

Citando o exemplo da cozinha espanhola, Pedro Subijana, do Akelarre, disse que o reconhecimento e a repercussão da gastronomia de um país é resultado de trabalho duro e insistência. "Durante anos ninguém nos deu respaldo, nem as instituições nem ninguém. Tínhamos objetivos bem definidos. Mas só depois que nos valorizaram fora foi que os de casa nos reconheceram."

Se depender da atenção que o Brasil conquistou nesta edição, ao menos dos chefs espanhóis que ocuparam a primeira fileira do Palácio Kursaal, parte do caminho está trilhado. Coube aos brasileiros a abertura do Gastronomika, na última segunda-feira - bem, na verdade, a um francês, ainda que brasileiríssimo.

Apontado por Alex Atala como um dos precursores do que hoje se entende por cozinha brasileira, Claude Troisgros passeou, junto do filho, Thomas, por criações marcantes em sua carreira, como o caviar de tapioca.

Helena Rizzo levou seus exercícios de fruição, expressos numa poesia escrita por ela e nas experiências com a araruta - ingrediente de cultura quase abandonada que chegou ao cardápio do Maní por vias tortuosas, depois de uma viagem ao Japão. Num vídeo com cenas rurais intercaladas a outras gravadas no restaurante, Helena apresentou um produtor baiano de araruta, seu Pedro Cone, e compartilhou a dificuldade de conseguir licuri fresco, "o coquinho de vida curta que, logo depois de colhido, fica rançoso".

Na apresentação seguinte, Rodrigo Oliveira recorreu a uma combinação infalível para teletransportar o público ao Mocotó: uma dose de cachaça e o crec-crec do torresmo, uma "língua universal". Compartilhou a maneira como aprimorou a técnica de preparo do torresmo, alertou para o desaparecimento da cozinha dos cozidos e brincou ao associar uma das técnicas da cozinha tecnoemocional, a esferificação, à perfeição da fava. "É uma cápsula de purê. Já nasce esferificada."

A ênfase no produto e no produtor foi a tônica da aula de Roberta Sudbrack. Conhecida por eleger a cada ano um ingrediente de estudo, falou do milho plantado por d. Virgínia: "Meu mise en place começa no quintal dos produtores". Com ele, fez um curau servido com pele de banana.

Último brasileiro a se apresentar, Alex Atala adotou um tom mais político ao lamentar a falta de apoio do governo na divulgação da gastronomia brasileira. Questionou o que é inovação na cozinha, ao defender a criatividade quando ela tem utilidade, e disse que, se ainda há sabores a serem descobertos, eles estão na América Latina. "Somos a maior despensa de produtos a serem revelados. Sem exagero, podemos afirmar que o futuro da gastronomia passa pela Amazônia e pelo Cerrado", disse Atala.

domingo, 6 de novembro de 2011

ONGs do bem e ONGs do mal. Prq?

Fernando Henrique Cardoso - O Estado de S.Paulo
O novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou recentemente que os desmandos que ocorreram em sua pasta se devem a que as ONGs passaram a ter maior participação na concretização de políticas públicas. E sentenciou: ele só fará convênios com prefeituras, não mais com segmentos da sociedade civil. Ou seja, em vez de destrinchar o que ocorre na administração federal e de analisar as bases reais do poder e da corrupção, encontra um bode expiatório fora do governo.


No caso, quanto eu saiba, é opinião de pessoa que não tem as mãos sujas por desvios de recursos públicos. Não se trata, portanto, de simples cortina de fumaça para obscurecer práticas corruptas. São palavras que expressam a visão de mundo do novo ministro: o que pertence ao "Estado", ao governo, é correto; o que vem de fora, da sociedade, traz impurezas... O mal estaria nas ONGs em si, não no desvio de suas funções nem na falta de fiscalização, cuja responsabilidade é dos partidos e dos governos.

Esse tipo de ideologia vem associado a outra perversão corrente: fora do partido e do governo nada é ético; já o que se faz dentro do governo para beneficiar o partido encontra justificativa e se torna ético por definição.

Repete-se algo do mensalão. Naquele episódio, já estava presente a ideologia que santifica o Estado e faz de conta que não vê o desvio de dinheiro público, desde que seja para ajudar os partidos "populares" a se manterem no poder. Com uma diferença: no mensalão desviavam-se recursos públicos e de empresas para pagar gastos eleitorais e para obter apoio de alguns políticos. Agora são os partidos que se aninham em ministérios e, mesmo fora das eleições, constroem redes de arrecadação por onde passam recursos públicos que abastecem suas caixas e os bolsos de alguns dirigentes, militantes e cúmplices.

A corrupção e, mais do que ela, o "fisiologismo", o clientelismo tradicional, sempre existiram. Depois da redemocratização, começando nas prefeituras, o PT - e não só ele - enveredou pelo caminho de buscar recursos para o partido nas empresas de coleta de lixo e de transporte público (sem ONGs no meio...). Há, entretanto, uma diferença essencial na comparação com o que se vê hoje na esfera federal. Antes o desvio de recursos roçava o poder, mas não era condição para o seu exercício. Agora os partidos exigem ministérios e postos administrativos para obterem recursos que permitam sua expansão, atraindo militantes e apoios com as benesses que extraem do Estado. É sob essa condição que dão votos ao governo no Congresso. O que era episódico se tornou um "sistema", o que era desvio individual de conduta se tornou prática aceita para garantir a "governabilidade".

Dessa forma, as "bases" dos governos resultam mais da composição de interesses materiais que da convergência de opiniões. Com isso perdem sentido as distinções programáticas, para não falar nas ideológicas: tanto faz que o partido se diga "de esquerda", como o PC do B, ou centrista, como o PMDB, ou de centro-direita, como o PR, ou que epíteto tenham, todos são condôminos do Estado. Há apenas dois lados, o dos condôminos e o dos que estão fora da partilha do saque. O antigo lema "é dando que se recebe", popularizado pelo deputado Cardoso Alves no governo Sarney, referia-se às nomeações, ao apadrinhamento, que, eventualmente, poderiam levar à corrupção, mas em si mesmo não o eram. Tratava-se da forma tradicional, clientelista, de fazer política.

Hoje é diferente. Além da forma tradicional - que continua a existir -, há uma nova maneira "legitimada" de garantir apoios: a doação quase explícita de ministérios com as "porteiras fechadas" aos partidos sócios do poder. Digo "legitimada" porque desde o mensalão o próprio presidente Lula outra coisa não fez senão justificar esse "sistema", como ainda agora, no caso da demissão dos ministros acusados de corrupção, aos quais pediu que tivessem "casca dura" - ou queria dizer caradura? - e se mantivessem no cargo. Num clima de bonança econômica, a aceitação tácita deste estado de coisas por um líder popular ajuda a transformar o desvio em norma mais ou menos aceita pela sociedade.

Pois bem, parece-me grave que, no momento em que a presidenta esboça uma reação a esse lavar de mãos, um ministro reitere a velha cantilena: a contaminação adveio das ONGs. Esqueceu que o governo tem a responsabilidade primordial de cuidar da moral do Estado. Não há Estado que seja por si só moral, nem partido que seja imune à corrupção pela graça divina. Pior, que não se possa tornar cúmplice de um sistema que se baseie na corrupção.

O "sistema" reage a essa argumentação dizendo tratar-se de "moralismo udenista", referência às críticas que a UDN fazia aos governos do passado, como se ao povo não interessasse a moral republicana. Ledo engano. É só discutir o tema relacionando-o, por exemplo, com trapalhadas com a Copa para ver se o povo reage ou não aos desmandos e à corrupção. A alegação antimoralista faz parte da mesma toada de "legitimação" dos "malfeitos". Não me parece que a anunciada faxina, embora longe de haver sido completa, tenha tirado apoios populares da presidenta. O obstáculo a uma eventual faxina não é a falta de apoio popular, mas a resistência do "sistema", como se viu na troca de um ministro por outro do mesmo partido, possivelmente também para preservar um ex-titular do mesmo ministério que trocou o PC do B pelo PT e hoje governa o Distrito Federal. Estamos diante de um sistema político que começa a ter a corrupção como esteio, mais do que simplesmente diante de pessoas corruptas.

Ainda há tempo para reagir. Mas é preciso ir mais longe e mais rápido na correção de rumos. E nesse esforço as oposições não se devem omitir. Podem lutar no Congresso por uma lei, por exemplo, que limite o número de ministérios e outra, se não a mesma, que restrinja ao máximo as nomeações fora dos quadros de funcionários. Por que não explicitar as condições para que as ONGs se tornem aptas a receber dinheiros públicos? Os desmandos não se restringem ao Ministério do Esporte, há outros na fila. Os dossiês da mídia devem estar repletos de denúncias. Não adianta dizer que se trata de "conspirações" contra os interesses populares. É da salvaguarda deles que se trata.


SOCIÓLOGO, FOI PRESIDENTE DA REPÚBLICA

domingo, 23 de outubro de 2011

Aconteceu na Mantiqueira



Sábado nas nuvens de Campos do Jordão.

Fui convidado a descobrir novas ações do Ecoparque Pesca na Montanha. Já tinha elogiado para amigos que lá se fazia a mais saborosa truta defumada à moda antiga da região. É sem duvida sempre mais agradável aceitar um convite quando se tem referencia de qualidade no serviço e nos produtos oferecidos.

 
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Num espaço privilegiado, rodeado de uma natureza exuberante de verdes e águas, Monica Simonsen apresentou o Projeto Jatayu que permite a recuperação, soltura e monitoramento de pássaros silvestres do bioma da Mata Atlântica. Para os amadores e interessados em ornitologia é a oportunidade de observar a variedade e beleza das aves no seu habitat natural.



Outro projeto integrado ao espaço com respeito à natureza foi associar aulas de arco e flecha com o professor Caio Marcondes Ferreira à pratica desse esporte em trilhas previamente preparadas e orientadas por GPS.

sábado, 1 de outubro de 2011

Mercado Municipal de Pindamonhangaba

 
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Continuando a minha pesquisa por pequenos produtores locais e por ingredientes tipicos da região da Serra da Mantiqueira, aproveitei este sábado para visitar o Mercado Municipal de Pindamonhangaba e conferir o que está acontecendo com a identidade dos Mercados no interior de São Paulo.
Sobe um prédio de época me deparei com uma feira que remete mais a feira do Paraguai de Brasilia ou a feira do Guará que está a cada dia perdendo mais espaço na área de produtos alimentícios e ingredientes para vender as bujigangas e mercadorias importadas da Asia.
As barracas de hortalicias e frutas montadas todo sábado nos arredores do Mercado como feira livre, salvaram o meu passeio.
Viva o Mercado Municipal de Paraisópolis que mantém intacta sua função e identidade.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Especial de Aniversário Seis Anos

Antológico!

Só posso parabenizar o conteúdo do Caderno Especial de aniversário do Paladar de hoje quinta feira 29 de setembro de 2011.
O manifesto apresentado nos textos aponta para uma visão da gastronomia brasileira mais diversificada e subsequentemente muito mais rica.
É por ai que a Gastronomia Brasileira tem que caminhar.
Matéria completa no http://www.estadao.com.br/paladar/

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Cardápio indigesto

Andando por uma região de canibais, o arqueólogo chega a um restaurante escondido no meio da selva.
O cardápio chama sua atenção:

RESTAURANTE CANIBAL
só servimos carne importada

Missionário inglês frito ............................. US$ 20,00

Turista americano a moda do chef ...........US$ 25,00

Freira italiana ensopada ......................... US$ 35,00

Político brasileiro ao forno ..................... US$ 250,00

Político brasileiro do PT ao forno ........... US$ 700,00

Não aceitamos cheques.

Intrigado com a disparidade de preços, ele pergunta ao dono da espelunca a razão de os pratos elaborados com políticos brasileiros serem tão caros.
O empresário, então, explica:
- Bom, o cara lá do Brasil, que exporta para nós, garante que político
brasileiro é muito difícil de ser caçado.
Para piorar, meu cozinheiro disse que eles levam horas e horas cozinhando. E tem mais: o senhor, por acaso, já tentou limpar um?

domingo, 4 de setembro de 2011

Recebi e vale refletir

“Se colocam fotos de gente morta ou doente nos maços de cigarros,
Deveriam colocar também:
de gente obesa em pacotes de batata frita,...
de animais torturados nos cosméticos,...
de acidentes de trânsito nas garrafas e latas de bebidas alcoólicas,...
de gente sem teto nas contas de água e luz,
de políticos corruptos nas guias de recolhimento de impostos

domingo, 28 de agosto de 2011

“Kitanda Brasil”



Domingo em Santo Antonio do Pinhal sem aquela revista Veja do “Poderoso Chefão” na banca da cidade, a se perguntar porque. Nada que a internet não resolva.
Aproveitei para ir até Gonçalves almoçar no restaurante “Kitanda Brasil” da Tanea Romão ex-sócia fundadora da empresa de geleias artesanais “Senhora das Especiarias”. O restaurante situa-se no centro da cidade e é montado em três pequenas salas de uma casa térrea típica da região, com um grande quintal arborizado que abriga, quando o tempo permite, longas mesas acolhedoras.
O serviço cuidadoso é feito por meninas dos aredores, sempre com sorriso cheio de ternura e uma bela intimidade com os petiscos.
O menu é pré-estabelecido pela cozinha e consiste numa variação de pequenos prazeres para os olhos e o paladar. O pão feito em casa é servido com várias manteigas temperadas, uma sopinha de beteraba de sabor delicado, os melhores toresmos que comi nos ultimos tempos, sutis bolinhos de arroz com miolo de queijo derretido, uma feijoada minimalista e, de sobremesa, uma sopa de queijo com doce de leite.
Posso dizer que a proposta é bem sedutora e valoriza a tranquilidade do bucólico da região.