Teorias, pesquisas e reflexões sobre a gastronomia brasileira, por Quentin Geenen de Saint Maur
quarta-feira, 20 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Azeite e Batata
A oliveira foi trazida ao Brasil há quase dois séculos por imigrantes da Europa e introduzida na Serra da Mantiqueira, na década de 40.
A EPAMIG e uma fazenda experimental da cidade de Maria da Fé, famosa pela sua produção de batatas, desenvolveram, há quatro décadas, pesquisas e o cultivo das oliveiras. No fim da semana que vem, de 20 a 24 de abril, o primeiro Azeite nacional será apresentado ao publico, no Festival Gastronômico Azeite e Batata de Maria da Fé.
Um novo passo está sendo dado no caminho dos sabores e teremos daqui para a frente azeite e azeitonas "made in Brazil".
A EPAMIG e uma fazenda experimental da cidade de Maria da Fé, famosa pela sua produção de batatas, desenvolveram, há quatro décadas, pesquisas e o cultivo das oliveiras. No fim da semana que vem, de 20 a 24 de abril, o primeiro Azeite nacional será apresentado ao publico, no Festival Gastronômico Azeite e Batata de Maria da Fé.
Um novo passo está sendo dado no caminho dos sabores e teremos daqui para a frente azeite e azeitonas "made in Brazil".
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Faltou apontar na matéria a carne do Pirarucu fantasiado de Bacalhau numa rede brasileira de supermercados
Vai comprar bacalhau? Cuidado com as imitações
Especialistas alertam para outros peixes salgados, de menor preço e qualidade, que são vendidos como ''legítimos'' nesta época do ano
13 de abril de 2011 | 0h 00
Leia a notícia
Email ImprimirA+ A- Compartilhar18
Márcio Pinho e Felipe Frazão - O Estado de S.Paulo
A Páscoa se aproxima e o consumidor tem de estar atento para não ser enganado na hora de comprar um dos produtos mais típicos da época: o bacalhau. Um grupo de pesquisas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) concluiu que vários outros peixes salgados, de menor qualidade e preço, são vendidos como se fossem bacalhau em mercados de São Paulo. Até mesmo disfarçados entre uma lasca e outra nas bandejas.
Tiago Queiroz/AEGenuíno. Prato do Bela Sintra, nos Jardins: até restaurante já teve de devolver falso bacalhau
Segundo a engenheira química especializada em Ciência de Alimentos e coordenadora do grupo, Lea Sant"Ana, a mistura de pedaços de peixes salgados, como Ling, Zarbo e Saithe, é muito comum. Assim como o bacalhau, eles passam por um processo industrial que os deixa salgados. O legítimo bacalhau, porém, é do gênero Gadus (veja as diferenças ao lado). E o popularmente conhecido bacalhau do Porto (Gadus mohrua) é tido como o mais nobre.
Os estudos sobre o assunto na Unesp começaram em 2000. Iniciada no ano passado, uma das pesquisas do grupo comprovou em testes de laboratório que metade das cerca de 40 amostras vendidas em lascas em bandejas não era de bacalhau. Mas todas eram vendidas como se fossem "legítimas". Visitando supermercados, pesquisadores detectaram ainda que os outros peixes salgados são vendidos como "tipo de bacalhau", mas não são.
O chef do restaurante A Bela Sintra, Valderi Gomes, diz que o problema é conhecido por quem trabalha na área. O próprio restaurante já teve de mandar encomendas de volta ao distribuidor ao perceber que não havia recebido bacalhau verdadeiro. A dica dada por Gomes é reparar no rabo do peixe, que tem ponta mais comprida do que a das imitações. Detalhe que, quando o peixe é vendido em lascas, fica impossível constatar. "Percebemos na hora do preparo. Ele não é tão gostoso quanto o bacalhau tradicional. Para o consumidor leigo, é mais difícil perceber."
No bolso. A irregularidade na venda do"gato por lebre". bacalhau se reflete no bolso do consumidor, que acaba levando para casa Segundo a advogada do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) Mariana Ferreira Alves, a venda de outros peixes no lugar do bacalhau desrespeita o Código de Defesa de Consumidor de diversas formas. Pode ser considerada, por exemplo, uma prática abusiva, já que se aproveita da falta de conhecimento técnico do cliente. Também pode configurar publicidade enganosa, uma vez que geralmente tem encartes informativos.
O Estado percorreu ontem alguns supermercados e constatou diferença de até R$ 15 no quilo dos diferentes tipos de peixe salgado. Na Alameda Santos, nos Jardins, por exemplo, o quilo do bacalhau do Porto é vendido por R$ 32,90. Já o do Zarbo e do Saithe custam, respectivamente, R$ 23 e R$ 19,50. Na Saúde, o quilo do Saithe sai a R$ 17,90, do Zarbo a R$ 18,90, do Porto a R$ 29,90 e do Imperial a R$ 31,90. Na Casa Verde, preços variam entre R$ 29 e R$ 35
Especialistas alertam para outros peixes salgados, de menor preço e qualidade, que são vendidos como ''legítimos'' nesta época do ano
13 de abril de 2011 | 0h 00
Leia a notícia
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Márcio Pinho e Felipe Frazão - O Estado de S.Paulo
A Páscoa se aproxima e o consumidor tem de estar atento para não ser enganado na hora de comprar um dos produtos mais típicos da época: o bacalhau. Um grupo de pesquisas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) concluiu que vários outros peixes salgados, de menor qualidade e preço, são vendidos como se fossem bacalhau em mercados de São Paulo. Até mesmo disfarçados entre uma lasca e outra nas bandejas.
Tiago Queiroz/AEGenuíno. Prato do Bela Sintra, nos Jardins: até restaurante já teve de devolver falso bacalhau
Segundo a engenheira química especializada em Ciência de Alimentos e coordenadora do grupo, Lea Sant"Ana, a mistura de pedaços de peixes salgados, como Ling, Zarbo e Saithe, é muito comum. Assim como o bacalhau, eles passam por um processo industrial que os deixa salgados. O legítimo bacalhau, porém, é do gênero Gadus (veja as diferenças ao lado). E o popularmente conhecido bacalhau do Porto (Gadus mohrua) é tido como o mais nobre.
Os estudos sobre o assunto na Unesp começaram em 2000. Iniciada no ano passado, uma das pesquisas do grupo comprovou em testes de laboratório que metade das cerca de 40 amostras vendidas em lascas em bandejas não era de bacalhau. Mas todas eram vendidas como se fossem "legítimas". Visitando supermercados, pesquisadores detectaram ainda que os outros peixes salgados são vendidos como "tipo de bacalhau", mas não são.
O chef do restaurante A Bela Sintra, Valderi Gomes, diz que o problema é conhecido por quem trabalha na área. O próprio restaurante já teve de mandar encomendas de volta ao distribuidor ao perceber que não havia recebido bacalhau verdadeiro. A dica dada por Gomes é reparar no rabo do peixe, que tem ponta mais comprida do que a das imitações. Detalhe que, quando o peixe é vendido em lascas, fica impossível constatar. "Percebemos na hora do preparo. Ele não é tão gostoso quanto o bacalhau tradicional. Para o consumidor leigo, é mais difícil perceber."
No bolso. A irregularidade na venda do"gato por lebre". bacalhau se reflete no bolso do consumidor, que acaba levando para casa Segundo a advogada do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) Mariana Ferreira Alves, a venda de outros peixes no lugar do bacalhau desrespeita o Código de Defesa de Consumidor de diversas formas. Pode ser considerada, por exemplo, uma prática abusiva, já que se aproveita da falta de conhecimento técnico do cliente. Também pode configurar publicidade enganosa, uma vez que geralmente tem encartes informativos.
O Estado percorreu ontem alguns supermercados e constatou diferença de até R$ 15 no quilo dos diferentes tipos de peixe salgado. Na Alameda Santos, nos Jardins, por exemplo, o quilo do bacalhau do Porto é vendido por R$ 32,90. Já o do Zarbo e do Saithe custam, respectivamente, R$ 23 e R$ 19,50. Na Saúde, o quilo do Saithe sai a R$ 17,90, do Zarbo a R$ 18,90, do Porto a R$ 29,90 e do Imperial a R$ 31,90. Na Casa Verde, preços variam entre R$ 29 e R$ 35
terça-feira, 12 de abril de 2011
Que bom Chef Duca Lapenda "acorda" e questiona a enxurrada de leis duvidosas
OLIVA VERDE: DE QUEM É A RESPONSABILIDADE ?: " Luvas, toucas,detergentes especiais,projetos sanitários complicados,siglas como “T.E.F” , “F.I.F.O” ou “5S” ,inspeções interm..."
sexta-feira, 1 de abril de 2011
O papel da cooperação intelectual internacional em uma sociedade do conhecimento
Vincent Defourny e Mercedes em Alto Paraiso
O representante da UNESCO no Brasil, Vincent Defourny convidado pela ABRABEL (Associação Brasil-Bélgica) confirmou ontem, na sala de Ato da Reitoria da UNB, a relevância do intercambio de estudantes entre as universidades pelo mundo.
Ele destacou o papel importante da UNESCO no seu apoio aos movimentos na área educacional própria a cada país e o êxito positivo dos investimentos das campanhas governamentais em diversas partes do mundo citando entre outros exemplos a Coréia do Sul e o programa Erasmus na Europa.
domingo, 27 de março de 2011
O Carapau e a Sardinha - Amália Rodrigues
Enviado pela amiga Maria João, uma portuguesa com certeza!
quarta-feira, 23 de março de 2011
Pit stop em Sampa
Encontros no Bar Balcão
O pianista russo Denis Kozhukhin, “ Laureat du Concours Reine Elisabeth” após sua espetacular apresentação na Sala São Paulo se deixou seduzir pelo ambiente informal e bem brasileiro com amigos no Bar Balcão, esquina da Melo Alves com a Tietê.
Descoberta !
Para os amantes da boa música o percussionista Caito Marcondes, o violonista Henri Greindl e um musico convidado se apresentam todas as quintas feiras no espaço cultural O Barco para compartilhar com um público restrito suas harmonias musicais.
Jarra d’água na mesa dos restaurantes.
Imagine só, o novo dilema que divide os proprietários dos restaurantes é a obrigação de servir nos estabelecimentos água gratuita nas mesas. Com a falta de qualidade da água da torneira imagine o estrago que isso pode resultar para a sua clientela.... Já existe a obrigação de servir um copo d’água a qualquer pessoa que peça.
Outro assunto de responsabilidade pública que ainda não foi resolvido é a falta de banheiros públicos. Vai ter fila nos banheiros dos bares e restaurantes na época da Copa. Será que os restaurantes terão que bancar com isso também?
Uma iguaria!
O restaurante Sal Gastronomia, sorte minha, lançou nesses dias uma nova iguaria: o Siri Mole Crocante, um delírio para o paladar.
O pianista russo Denis Kozhukhin, “ Laureat du Concours Reine Elisabeth” após sua espetacular apresentação na Sala São Paulo se deixou seduzir pelo ambiente informal e bem brasileiro com amigos no Bar Balcão, esquina da Melo Alves com a Tietê.
Descoberta !
Para os amantes da boa música o percussionista Caito Marcondes, o violonista Henri Greindl e um musico convidado se apresentam todas as quintas feiras no espaço cultural O Barco para compartilhar com um público restrito suas harmonias musicais.
Jarra d’água na mesa dos restaurantes.
Imagine só, o novo dilema que divide os proprietários dos restaurantes é a obrigação de servir nos estabelecimentos água gratuita nas mesas. Com a falta de qualidade da água da torneira imagine o estrago que isso pode resultar para a sua clientela.... Já existe a obrigação de servir um copo d’água a qualquer pessoa que peça.
Outro assunto de responsabilidade pública que ainda não foi resolvido é a falta de banheiros públicos. Vai ter fila nos banheiros dos bares e restaurantes na época da Copa. Será que os restaurantes terão que bancar com isso também?
Uma iguaria!
O restaurante Sal Gastronomia, sorte minha, lançou nesses dias uma nova iguaria: o Siri Mole Crocante, um delírio para o paladar.
domingo, 6 de março de 2011
MIXEUR - Um programa de Gastronomia em destaque
MIXEUR, LES GOÛTS ET LES IDÉES"Mixeur" Um programa canadense na TV5 Monde se destaca entre todos as apresentações culinarias atuais com ar de frescor e contemporaneidade. Sua nova linguagem, seu visual e estilo atualizado abraça a Gastronomia no sentido mais amplo.
Imperdivel!!!
Falta a TV5 Monde corrigir sua Capital do Brasil no programa de Meteorologia, substituindo Rio de Janeiro por Brasília.
Imperdivel!!!
Falta a TV5 Monde corrigir sua Capital do Brasil no programa de Meteorologia, substituindo Rio de Janeiro por Brasília.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Enviado por Eduardo Graeff
Putting the Cornish back into pasties The EU ruling that Cornish pasties must be made in Cornwall underlines the importance of the world's many food specialities
Agnès Poirier guardian.co.uk, Wednesday 23 February 2011 18.00 GMT Article history
The EU has ruled Cornish pasties must be made in Cornwall. Photograph: Alamy
Cornish pasties, the 19th century miner's own kind of packed lunch, must now be made in Cornwall. The EU says so, they have even made it a rule. For nine years, the Cornish Pasty Association fought for what is called protected geographical indication (PGI) – and it has won. Alongside its geographical origin comes a whole set of rules on how one produces Cornish pasties: their shape, the nature of the filling and the baking process. And, of course, no artificial flavouring or any additives should get into them.
In other words, PGIs – and their French counterparts, appellation d'origine protégée (AOPs) and appellation d'origine contrôlée (AOCs) – are "an official mark of quality awarded to regional products with specific characteristics and taste produced with traditional methods". Do you remember other Homeric AOC battles? There was the three-year "holey" war between Swiss and French Gruyère makers, when French producers, astonishingly arrogant, demanded a super AOC to protect their Gruyère (the one with holes in). The Swiss cheese-makers suddenly woke up from their blissful life and invoked ancient Roman history to win their case: who dared steal the limelight from their – far superior, in my view – un-holed Gruyère! The EU thought the French were pushing it a bit far and holey Gruyère makers retreated.
You may also remember the 20-year battle fought by camembert producers? They bickered about the nature of their AOC: should camembert, which "smells like the feet of God", according to cheese addict Will Studd, be made with pasteurised or unpasteurised milk? The hand-moulding, pro-unpasteurised artisan producers finally won the argument against Lactalis (the second largest cheese producer in the world, industrially producing 80,000 camemberts a day), which simply wanted to renegotiate with the French authorities the way of making camembert while retaining their AOC. Cheeky!
All those endless battles might sound, like Gargantua's Picrocholine wars, ridiculously trite. However, I'd say that they touch on something fundamental: one's belonging to le terroir. In today's time, in "our global village", such terms may sound conservative or simply passé. In fact, they are the only tangible link we still have with reality. No matter how "globalised" we have become, we all come from somewhere. Food, too. It may, throughout the ages, have been coloured, influenced, or changed by external elements – as the gastronomic wizard Claudia Roden has written about extensively. However, terroir, or "from the land", shouldn't be dismissed. Terroir doesn't mean conservatism, it means diversity. Against a globalised grub, it stresses the importance of the world's many specialities. In the same way as it seems better to buy vegetables from local growers, it is logical to taste local specialities everywhere you travel. Terroir is a window on the world worth fighting for.
Tell me about your favourite local dish. The winner (arbitrarily chosen by me) will get a pasteurised camembert from my favourite fromager in Normandy.
Agnès Poirier guardian.co.uk, Wednesday 23 February 2011 18.00 GMT Article history
The EU has ruled Cornish pasties must be made in Cornwall. Photograph: Alamy
Cornish pasties, the 19th century miner's own kind of packed lunch, must now be made in Cornwall. The EU says so, they have even made it a rule. For nine years, the Cornish Pasty Association fought for what is called protected geographical indication (PGI) – and it has won. Alongside its geographical origin comes a whole set of rules on how one produces Cornish pasties: their shape, the nature of the filling and the baking process. And, of course, no artificial flavouring or any additives should get into them.
In other words, PGIs – and their French counterparts, appellation d'origine protégée (AOPs) and appellation d'origine contrôlée (AOCs) – are "an official mark of quality awarded to regional products with specific characteristics and taste produced with traditional methods". Do you remember other Homeric AOC battles? There was the three-year "holey" war between Swiss and French Gruyère makers, when French producers, astonishingly arrogant, demanded a super AOC to protect their Gruyère (the one with holes in). The Swiss cheese-makers suddenly woke up from their blissful life and invoked ancient Roman history to win their case: who dared steal the limelight from their – far superior, in my view – un-holed Gruyère! The EU thought the French were pushing it a bit far and holey Gruyère makers retreated.
You may also remember the 20-year battle fought by camembert producers? They bickered about the nature of their AOC: should camembert, which "smells like the feet of God", according to cheese addict Will Studd, be made with pasteurised or unpasteurised milk? The hand-moulding, pro-unpasteurised artisan producers finally won the argument against Lactalis (the second largest cheese producer in the world, industrially producing 80,000 camemberts a day), which simply wanted to renegotiate with the French authorities the way of making camembert while retaining their AOC. Cheeky!
All those endless battles might sound, like Gargantua's Picrocholine wars, ridiculously trite. However, I'd say that they touch on something fundamental: one's belonging to le terroir. In today's time, in "our global village", such terms may sound conservative or simply passé. In fact, they are the only tangible link we still have with reality. No matter how "globalised" we have become, we all come from somewhere. Food, too. It may, throughout the ages, have been coloured, influenced, or changed by external elements – as the gastronomic wizard Claudia Roden has written about extensively. However, terroir, or "from the land", shouldn't be dismissed. Terroir doesn't mean conservatism, it means diversity. Against a globalised grub, it stresses the importance of the world's many specialities. In the same way as it seems better to buy vegetables from local growers, it is logical to taste local specialities everywhere you travel. Terroir is a window on the world worth fighting for.
Tell me about your favourite local dish. The winner (arbitrarily chosen by me) will get a pasteurised camembert from my favourite fromager in Normandy.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Boa noticia!
Os turistas que irão passar férias nas praias de Salvador vão poder manter o prazer de comer nas brancas areias do mar uma iguaria regional com registro no Patrimônio Imaterial. As soridentes baianas do Acarajé poderão ficar na orla com seus tabuleiros coloridos e apetitosos , após ameaça de serem expulsas pela justiça federal.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
“La révolution des frites”
“La révolution des frites”
Jovens belgas cansados com a incompetência dos políticos nacionais em encontrar um “modus vivendi” para a formatação de um governo nacional há mais de 249 dias (recorde mundial) organizaram nessa quinta feira uma manifestação bem humorada e lúdica para o dia do “saco cheio” .
“A união faz a força” leme da bandeira belga foi transformado por um dia num movimento bem humorado, confirmando a Bélgica como berço da HQ na Europa: O protesto da batata frita.
A batata frita (de origem belga)com maionese é um dos simbolos da culinária no dia dia do país - nossa mandioca com feijão.
A manifestação contém uma mensagem simbólica anti-separatista e uma prova com referência gustativa da integração entre o povo Wallon e Flamand.
Ler no Blog do Ricardo Noblat a matéria por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Entrou com pé esquerda e ficou parado no tempo.
Onde já se viu uma universidade pública se submeter aos interesses de uma escola de gastronomia particular para montar uma seção dedicada à Gastronomia?
Há mais de dez anos atrás quando cheguei em Brasília, fui consultado para ajudar a nortear o projeto de Gastronomia da UNB.
Levantei pontos imprescindíveis para o desenvolvimento do conceito dos cursos .
Um dos conceitos era, e ainda é, da UNB fazer parcerias com corpo docente de outras universidades e escolas de Gastronomia pelo mundo na área do conhecimento técnico e acadêmico, investir na nanotecnologia e na nanociência para desenvolver um método próprio adaptado aos interesses do país. Focar e valorizar a diversidade nacional, tanto pela diversidade cultural aqui presente quanto a variedade dos ingredientes e produtos que se encontram nos seus biomas.
Vamos torcer que da decadência dessa parceria, natimorto, nasça um projeto ambicioso, sustentável e com olhar para o futuro da gastronomia no Brasil.
Matéria publicada no Correio Braziliense do 15 de fevereiro por Renato Alves
Dez anos de desperdício na UnB Sofisticados utensílios comprados para aquela que seria uma filial da mais famosa escola de gastronomia do mundo permanecem guardados em subsolo empoeirado e sem ventilação Coifas e prateleiras em aço inox. Câmaras para armazenar frutas, verduras, legumes, carnes, peixes, laticínios e congelados. Móveis e utensílios suficientes para equipar sete cozinhas, uma padaria, uma confeitaria e dois restaurantes com o que havia de mais moderno, chique e caro no universo gastronômico. Tudo está abandonado há 10 anos no subsolo inacabado de um prédio da Universidade de Brasília (UnB). O espaço foi reformado por R$ 300 mil para abrigar a primeira filial permanente na América Latina da mais badalada escola de gastronomia do mundo, a francesa Le Cordon Bleu (leia Memória). Mas nunca houve uma aula para os candidatos a gourmets e a chefs. Nem fizeram qualquer prato em tal aparelhagem. Quase toda a parafernália permanece embalada em uma das salas do subsolo de 579 metros quadrados do Centro de Excelência em Turismo (CET), no câmpus Darcy Ribeiro, na Asa Norte. Sem acabamento, com fiação exposta, muita poeira e nenhuma ventilação, o ambiente onde seria instalada a unidade da Le Cordon Bleu se transformou em depósito de entulhos. No lugar de cozinhas para aulas de culinária, alunos e professores, a construção abriga ainda equipamentos quebrados, papéis velhos, morcegos, aranhas e outros bichos. Só agora, 12 anos após a assinatura do convênio entre as instituições francesa e brasiliense, a UnB busca uma destinação ao espaço e aos sofisticados utensílios gastronômicos (veja Linha do tempo). As direções da escola europeia, da UnB e do Instituto Gastronômico Brasileiro (IGB) firmaram a parceria que resultaria na Le Cordon Bleu candanga em 1998. Empreendimento propagado à época como um marco na história da universidade e do turismo brasiliense. Os idealizadores do projeto anunciaram que ele custaria US$ 2 milhões, pouco mais de R$ 4 milhões na época. O valor dizia respeito aos aparelhos necessários para a montagem das cozinhas e as salas de aulas. No entanto, o contrato não deixava claro quanto cada instituição deveria desembolsar nem trazia prazos e previsão de multas para o descumprimento de cláusulas. Os cursos, todos pagos, seriam abertos de acordo com a demanda. Cerca de 3 mil pessoas se inscreveram para as especializações na área de culinária. Gente disposta a desembolsar até R$ 20 mil para aprender os segredos das melhores cozinhas do mundo em dois anos. As vagas eram limitadas: 64 por semestre. A seleção seria feita por três especialistas: um da Le Cordon Bleu, um da UnB e outro do IGB. Poderiam concorrer jovens com mais de 17 anos, de ambos os sexos, com segundo grau completo. Era recomendável o domínio do inglês e do francês, pois muitos dos professores viriam das seis escolas Le Cordon Bleu no mundo. O modelo foi testado na Austrália. Em seis anos, de 1994 a 2000, foram formadas três turmas de chefs, revolucionando a culinária daquele país. Ampla reforma Em Brasília, os cursos de formação seriam ministrados na universidade. Antes de ter um espaço adequado na UnB, o IGB abriu vagas para oficinas. Quando funcionava na Associação Atlética Banco de Brasília (AABR), no Lago Sul, o instituto sediou as poucas aulas da Le Cordon Bleu na capital brasileira. Mas as atividades não passaram de demonstrações e degustações para gourmets, entre novembro e dezembro de 2000. Logo depois, extinguiram o IGB. Para compensar os gastos com obras no prédio do CET, em andamento, o instituto decidiu compensar a UnB com R$ 300 mil em aparelhos gastronômicos. A universidade recebeu os itens em 2001, com a futura sede da Le Cordon Bleu inacabada. Na intenção de receber aquela que seria a maior unidade da escola francesa — então com sete filiais —, o prédio do CET passou por uma profunda reestruturação. Iniciada em 1998 com previsão de acabar dois anos depois, a obra foi concluída no fim de 2005. A arquitetura, diferente da dos demais edifícios do câmpus, passou a chamar ainda mais a atenção. Em uma área de 4,4 mil m², o CET tem um módulo central e quatro periféricos, todos na forma de octógono, com estrutura em madeira amazônica carapanaúba, conhecida como sapupema. Qualidade Além dos jardins externos, introduziram-se duas áreas verdes no interior do complexo. O prédio, de 1986, passou por uma reformulação total das estruturas, com pilares de concretos erguidos para melhorar a sustentação. Na época, a direção da UnB divulgou que tudo havia sido feito para receber os equipamentos da Le Cordon Bleu. Como os administradores da universidade esperavam um grande fluxo de pessoas e de carros em função da escola de culinária, todos os acessos ao CET receberam passarelas e um espaço para embarque e desembarque de alunos, professores, funcionários e visitantes. Foram construídos, ainda, quatro estacionamentos para 130 veículos. Das dependências destinadas a Le Cordon Bleu, ficou pronto apenas o restaurante. Erguido no térreo, com piso e pilastras feitos de madeira amazônica, ele teria capacidade para 120 pessoas e serviria de sala de aula e de teste aos alunos. No espaço, seriam oferecidas as delícias das cozinhas francesa, italiana, tailandesa, indiana, além da brasileira. Com a falta de dinheiro para a conclusão da reforma no prédio do CET e a ausência de normas e de punições no contrato firmado há 12 anos, a UnB e a Le Cordon Bleu não desembolsaram um centavo para a compra de ingredientes e outros equipamentos necessários ao início das aulas. Mas a direção da universidade manteve a ideia de ter uma unidade da escola francesa mesmo em meio à sua maior crise institucional, que culminou no fim da administração Timothy Mulholland, em 2008. O contrato expirou em maio de 2009, quando acabou sepultado. “Acreditamos que a gastronomia tem também um lado social, e é nisso que passamos a investir”, afirma o diretor do CET, Neio Campos. Ele assumiu o cargo pouco antes do fim do acordo com a Le Cordon Bleu. Aomesmotempoemqueconsidera um “elefante branco” o subsolo do CET, Campos diz que a parceria frustrada com a escola francesa deixou um “legado” à UnB. “O prédio foi restaurado e é um dos mais belos do câmpus. Nele, funcionam os cursos de hotelaria e de turismo”, ressalta. Mas a UnB, que seria precursora em Brasília e na América Latina em cursos de alta culinária, perdeu candidatos a chefs para três universidades particulares do DF que, nesses 10 anos, criaram seus cursos de gastronomia
Há mais de dez anos atrás quando cheguei em Brasília, fui consultado para ajudar a nortear o projeto de Gastronomia da UNB.
Levantei pontos imprescindíveis para o desenvolvimento do conceito dos cursos .
Um dos conceitos era, e ainda é, da UNB fazer parcerias com corpo docente de outras universidades e escolas de Gastronomia pelo mundo na área do conhecimento técnico e acadêmico, investir na nanotecnologia e na nanociência para desenvolver um método próprio adaptado aos interesses do país. Focar e valorizar a diversidade nacional, tanto pela diversidade cultural aqui presente quanto a variedade dos ingredientes e produtos que se encontram nos seus biomas.
Vamos torcer que da decadência dessa parceria, natimorto, nasça um projeto ambicioso, sustentável e com olhar para o futuro da gastronomia no Brasil.
Matéria publicada no Correio Braziliense do 15 de fevereiro por Renato Alves
Dez anos de desperdício na UnB Sofisticados utensílios comprados para aquela que seria uma filial da mais famosa escola de gastronomia do mundo permanecem guardados em subsolo empoeirado e sem ventilação Coifas e prateleiras em aço inox. Câmaras para armazenar frutas, verduras, legumes, carnes, peixes, laticínios e congelados. Móveis e utensílios suficientes para equipar sete cozinhas, uma padaria, uma confeitaria e dois restaurantes com o que havia de mais moderno, chique e caro no universo gastronômico. Tudo está abandonado há 10 anos no subsolo inacabado de um prédio da Universidade de Brasília (UnB). O espaço foi reformado por R$ 300 mil para abrigar a primeira filial permanente na América Latina da mais badalada escola de gastronomia do mundo, a francesa Le Cordon Bleu (leia Memória). Mas nunca houve uma aula para os candidatos a gourmets e a chefs. Nem fizeram qualquer prato em tal aparelhagem. Quase toda a parafernália permanece embalada em uma das salas do subsolo de 579 metros quadrados do Centro de Excelência em Turismo (CET), no câmpus Darcy Ribeiro, na Asa Norte. Sem acabamento, com fiação exposta, muita poeira e nenhuma ventilação, o ambiente onde seria instalada a unidade da Le Cordon Bleu se transformou em depósito de entulhos. No lugar de cozinhas para aulas de culinária, alunos e professores, a construção abriga ainda equipamentos quebrados, papéis velhos, morcegos, aranhas e outros bichos. Só agora, 12 anos após a assinatura do convênio entre as instituições francesa e brasiliense, a UnB busca uma destinação ao espaço e aos sofisticados utensílios gastronômicos (veja Linha do tempo). As direções da escola europeia, da UnB e do Instituto Gastronômico Brasileiro (IGB) firmaram a parceria que resultaria na Le Cordon Bleu candanga em 1998. Empreendimento propagado à época como um marco na história da universidade e do turismo brasiliense. Os idealizadores do projeto anunciaram que ele custaria US$ 2 milhões, pouco mais de R$ 4 milhões na época. O valor dizia respeito aos aparelhos necessários para a montagem das cozinhas e as salas de aulas. No entanto, o contrato não deixava claro quanto cada instituição deveria desembolsar nem trazia prazos e previsão de multas para o descumprimento de cláusulas. Os cursos, todos pagos, seriam abertos de acordo com a demanda. Cerca de 3 mil pessoas se inscreveram para as especializações na área de culinária. Gente disposta a desembolsar até R$ 20 mil para aprender os segredos das melhores cozinhas do mundo em dois anos. As vagas eram limitadas: 64 por semestre. A seleção seria feita por três especialistas: um da Le Cordon Bleu, um da UnB e outro do IGB. Poderiam concorrer jovens com mais de 17 anos, de ambos os sexos, com segundo grau completo. Era recomendável o domínio do inglês e do francês, pois muitos dos professores viriam das seis escolas Le Cordon Bleu no mundo. O modelo foi testado na Austrália. Em seis anos, de 1994 a 2000, foram formadas três turmas de chefs, revolucionando a culinária daquele país. Ampla reforma Em Brasília, os cursos de formação seriam ministrados na universidade. Antes de ter um espaço adequado na UnB, o IGB abriu vagas para oficinas. Quando funcionava na Associação Atlética Banco de Brasília (AABR), no Lago Sul, o instituto sediou as poucas aulas da Le Cordon Bleu na capital brasileira. Mas as atividades não passaram de demonstrações e degustações para gourmets, entre novembro e dezembro de 2000. Logo depois, extinguiram o IGB. Para compensar os gastos com obras no prédio do CET, em andamento, o instituto decidiu compensar a UnB com R$ 300 mil em aparelhos gastronômicos. A universidade recebeu os itens em 2001, com a futura sede da Le Cordon Bleu inacabada. Na intenção de receber aquela que seria a maior unidade da escola francesa — então com sete filiais —, o prédio do CET passou por uma profunda reestruturação. Iniciada em 1998 com previsão de acabar dois anos depois, a obra foi concluída no fim de 2005. A arquitetura, diferente da dos demais edifícios do câmpus, passou a chamar ainda mais a atenção. Em uma área de 4,4 mil m², o CET tem um módulo central e quatro periféricos, todos na forma de octógono, com estrutura em madeira amazônica carapanaúba, conhecida como sapupema. Qualidade Além dos jardins externos, introduziram-se duas áreas verdes no interior do complexo. O prédio, de 1986, passou por uma reformulação total das estruturas, com pilares de concretos erguidos para melhorar a sustentação. Na época, a direção da UnB divulgou que tudo havia sido feito para receber os equipamentos da Le Cordon Bleu. Como os administradores da universidade esperavam um grande fluxo de pessoas e de carros em função da escola de culinária, todos os acessos ao CET receberam passarelas e um espaço para embarque e desembarque de alunos, professores, funcionários e visitantes. Foram construídos, ainda, quatro estacionamentos para 130 veículos. Das dependências destinadas a Le Cordon Bleu, ficou pronto apenas o restaurante. Erguido no térreo, com piso e pilastras feitos de madeira amazônica, ele teria capacidade para 120 pessoas e serviria de sala de aula e de teste aos alunos. No espaço, seriam oferecidas as delícias das cozinhas francesa, italiana, tailandesa, indiana, além da brasileira. Com a falta de dinheiro para a conclusão da reforma no prédio do CET e a ausência de normas e de punições no contrato firmado há 12 anos, a UnB e a Le Cordon Bleu não desembolsaram um centavo para a compra de ingredientes e outros equipamentos necessários ao início das aulas. Mas a direção da universidade manteve a ideia de ter uma unidade da escola francesa mesmo em meio à sua maior crise institucional, que culminou no fim da administração Timothy Mulholland, em 2008. O contrato expirou em maio de 2009, quando acabou sepultado. “Acreditamos que a gastronomia tem também um lado social, e é nisso que passamos a investir”, afirma o diretor do CET, Neio Campos. Ele assumiu o cargo pouco antes do fim do acordo com a Le Cordon Bleu. Aomesmotempoemqueconsidera um “elefante branco” o subsolo do CET, Campos diz que a parceria frustrada com a escola francesa deixou um “legado” à UnB. “O prédio foi restaurado e é um dos mais belos do câmpus. Nele, funcionam os cursos de hotelaria e de turismo”, ressalta. Mas a UnB, que seria precursora em Brasília e na América Latina em cursos de alta culinária, perdeu candidatos a chefs para três universidades particulares do DF que, nesses 10 anos, criaram seus cursos de gastronomia
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Culinária Guá Yvá
O Brasil inaugurou sua gastronomia “fusão” na época do descobrimento, quando os conquistadores começaram a incorporar ao seu cardápio os ingredientes indígenas.
Os colonos portugueses aculturaram-se aqui e nas várias partes do mundo assimilando os produtos disponíveis in loco, sem deixar de preservar seus pratos tradicionais. Para se aconchegar no conhecido e matar a saudade da pátria, iniciaram um novo comércio de temperos entre os continentes.
Sal, rapadura, carne seca ou moqueada, farinha de mandioca faziam parte da dieta espartana dos bandeirantes. Essa culinária tinha que sustentar os esforços físicos dos tropeiros e longas semanas de expedições terra adentro.
Os africanos assimilaram a mandioca na sua culinária e gostaram tanto que levaram a raiz para seus países de origem.
Outras culturas, mais puristas, ainda relutam em passar por este processo de evolução com medo de perder sua identidade.
Durante séculos as inovações na área da gastronomia foram feitas por aqui com ingredientes vindos de fora do país. O destaque ia para produtos exóticos como a maçã, a pêra, o morango, as nozes, as avelãs, o alho porró, o salsão, o salmão, o bacalhau, o azeite, “secos e molhados” que davam notoriedade e prestígio aos banquetes com eles preparados.
500 anos se passaram, o guaraná se integrou às receitas de estimulantes e refrescos no nosso dia a dia, a cachaça ganhou roupa nova e distinção, o café voltou a ser orgulho nacional. O vinho está hoje passando por uma grande revolução, investindo e diversificando suas áreas de cultivo no Nordeste e no Sul.
O cacau da Amazônia está sendo estudado para entrar na lista dos próximos produtos a se destacar, depois de ter sido quase erradicado no sul da Bahia.
Na década dos 80, a tendência da nouvelle cuisinne, com sua filosofia de utilizar ingredientes frescos, do terroir, veio valorizar novos sabores, texturas e perfumes dos produtos originários.
Hoje os Chefs brasileiros com reconhecimento e formação internacional marcam sua identidade agregando cada vez mais produtos genuínos, proveniente de pequenos produtores, de manejo ou de colheitas sustentáveis, para se sobressair e enriquecer suas criações, revendo receitas tradicionais. É com a ajuda deles e da notoriedade da arte dos sabores que a grande diversidade de produtos daqui está caminhando para uma maior divulgação e relevância. Preconceitos sobre alguns ingredientes populares estão desabando pela destreza dos alquimistas dos sabores. Lá e cá apontam pequenos produtores, ousados, empolgados com a força desse movimento, que estão retomando o cultivo, a criação e a colheita de frutos, plantas, raízes e animais que estavam ameaçados de esquecimento e até desaparecimento.
As técnicas contemporâneas no preparo desses alimentos e a conscientização dos Chefs e do público só podem ajudar a fixar o retorno desses produtos, dando assim uma identidade à Gastronomia brasileira, a culinária Guá-Yvá (do guarani, Fruto da Natureza).
Só assim, com o reconhecimento e o uso dos produtos da terra no próprio Brasil, pode-se pensar em despertar interesse por eles nos mercados lá fora.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Vergonha nacional! Ministério da Agricultura cobra certificado Sisorg dos produtores orgânicos e não dá conta do recado
Regulamentação paralisa mercado de orgânicos, acusam produtores
Ambiente. Desde 1º de janeiro, o governo federal exige o selo Sisorg, do Ministério da Agricultura, nos produtos agrícolas cultivados sem agrotóxicos e adubos químicos, mas apenas 3 certificadoras que atuam no País conseguiram completar seu credenciamento
29 de janeiro de 2011 | 0h 00
Leia a notícia
Andrea Vialli - O Estado de S.Paulo
Produtores de alimentos orgânicos e agências que os certificam acusam a regulamentação federal para esses produtos, que entrou em vigor em 1.º de janeiro, de estar paralisando esse mercado no País. A partir dessa data, os produtos orgânicos, para serem comercializados, precisam ter o selo Sisorg, emitido pelo Ministério da Agricultura.
No entanto, muitas agências certificadoras - responsáveis pela concessão do selo de orgânicos aos produtores - não conseguiram completar seus processos de credenciamento no governo e passar pelas auditorias que atestam que os produtores seguem os preceitos da produção orgânica, como o não uso de adubos químicos e pesticidas. Em razão disso, muitos deles estão impedidos de comercializar seus produtos em supermercados e outros pontos de venda.
Das cerca de dez certificadoras que atuam no País, apenas três - Ecocert, IBD e Tecpar - conseguiram completar seu credenciamento no ministério. Elas obtiveram o selo no final de novembro, restando aos produtores apenas 40 dias para adequar suas embalagens.
O produtor rural José Bassit, que produz hortaliças em um sítio de 3 hectares na região da Serra da Mantiqueira, soube no dia 10 de dezembro que perderia sua certificação da Fundação Mokiti Okada. "Fui informado por uma carta da certificadora de que meu selo não valeria a partir de 1.º de janeiro. Tive de procurar outra certificadora e tive prejuízo, pois não consegui vender minha produção em janeiro."
Além de produzir em seu próprio sítio, Bassit também trabalha para a Blessing Alimentos Orgânicos, que produz geleias e chás. A empresa continua sem certificação até que o acordo com a Ecocert, uma certificadora credenciada, saia em fevereiro. "A intenção da lei era proteger o consumidor. Mas por enquanto ela está trazendo dor de cabeça aos produtores."
Redes de supermercados, como o grupo Pão de Açúcar, suspenderam as compras de produtos orgânicos sem o selo Sisorg, do governo federal. A rede (que trabalha com 130 produtores orgânicos) afirma que não houve falta de produtos em suas lojas.
Atraso. Douglas Yoshimi Harada, secretário da certificadora Mokiti Okada - uma das que não conseguiram se credenciar -, afirma que o prazo dado pelo governo federal foi curto. "Fizemos o cadastro em novembro, mas não houve tempo para que o Inmetro e o Ministério da Agricultura marcassem as auditorias", conta. De origem japonesa, a Mokiti Okada é responsável pela certificação de 300 produtores e fez um acordo com outra certificadora, a IBD, para regularizar 200 produtores. Quem não conseguiu se certificar teve de vender a produção de orgânicos como produto convencional, afirma Harada.
Na avaliação de Daniel Schuppli, diretor da certificadora IMO do Brasil, o problema ocorreu porque houve muita procura pelo credenciamento no Ministério da Agricultura no final do ano passado. "É uma fase de transição. Em fevereiro, devemos passar pelas auditorias", diz. Ele aponta, no entanto, que o mercado ainda carece de regulamentação para produtos como cogumelos, têxteis e cosméticos, que não podem ser vendidos como orgânicos por falta de instrução normativa.
Ambiente. Desde 1º de janeiro, o governo federal exige o selo Sisorg, do Ministério da Agricultura, nos produtos agrícolas cultivados sem agrotóxicos e adubos químicos, mas apenas 3 certificadoras que atuam no País conseguiram completar seu credenciamento
29 de janeiro de 2011 | 0h 00
Leia a notícia
Andrea Vialli - O Estado de S.Paulo
Produtores de alimentos orgânicos e agências que os certificam acusam a regulamentação federal para esses produtos, que entrou em vigor em 1.º de janeiro, de estar paralisando esse mercado no País. A partir dessa data, os produtos orgânicos, para serem comercializados, precisam ter o selo Sisorg, emitido pelo Ministério da Agricultura.
No entanto, muitas agências certificadoras - responsáveis pela concessão do selo de orgânicos aos produtores - não conseguiram completar seus processos de credenciamento no governo e passar pelas auditorias que atestam que os produtores seguem os preceitos da produção orgânica, como o não uso de adubos químicos e pesticidas. Em razão disso, muitos deles estão impedidos de comercializar seus produtos em supermercados e outros pontos de venda.
Das cerca de dez certificadoras que atuam no País, apenas três - Ecocert, IBD e Tecpar - conseguiram completar seu credenciamento no ministério. Elas obtiveram o selo no final de novembro, restando aos produtores apenas 40 dias para adequar suas embalagens.
O produtor rural José Bassit, que produz hortaliças em um sítio de 3 hectares na região da Serra da Mantiqueira, soube no dia 10 de dezembro que perderia sua certificação da Fundação Mokiti Okada. "Fui informado por uma carta da certificadora de que meu selo não valeria a partir de 1.º de janeiro. Tive de procurar outra certificadora e tive prejuízo, pois não consegui vender minha produção em janeiro."
Além de produzir em seu próprio sítio, Bassit também trabalha para a Blessing Alimentos Orgânicos, que produz geleias e chás. A empresa continua sem certificação até que o acordo com a Ecocert, uma certificadora credenciada, saia em fevereiro. "A intenção da lei era proteger o consumidor. Mas por enquanto ela está trazendo dor de cabeça aos produtores."
Redes de supermercados, como o grupo Pão de Açúcar, suspenderam as compras de produtos orgânicos sem o selo Sisorg, do governo federal. A rede (que trabalha com 130 produtores orgânicos) afirma que não houve falta de produtos em suas lojas.
Atraso. Douglas Yoshimi Harada, secretário da certificadora Mokiti Okada - uma das que não conseguiram se credenciar -, afirma que o prazo dado pelo governo federal foi curto. "Fizemos o cadastro em novembro, mas não houve tempo para que o Inmetro e o Ministério da Agricultura marcassem as auditorias", conta. De origem japonesa, a Mokiti Okada é responsável pela certificação de 300 produtores e fez um acordo com outra certificadora, a IBD, para regularizar 200 produtores. Quem não conseguiu se certificar teve de vender a produção de orgânicos como produto convencional, afirma Harada.
Na avaliação de Daniel Schuppli, diretor da certificadora IMO do Brasil, o problema ocorreu porque houve muita procura pelo credenciamento no Ministério da Agricultura no final do ano passado. "É uma fase de transição. Em fevereiro, devemos passar pelas auditorias", diz. Ele aponta, no entanto, que o mercado ainda carece de regulamentação para produtos como cogumelos, têxteis e cosméticos, que não podem ser vendidos como orgânicos por falta de instrução normativa.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Uma luz no fundo do tunel
Acabei de aderir ao manifesto Eu Voto Distrital.
Pensei que você talvez também queira ler e assinar.
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N5962
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Viajante
Estava embarcado com passagem para as Índias, confinado num espaço exíguo, reduzido entre o céu, o mar e o tempo, sem pressa.
Semanas se passaram e os ventos levavam a nossa embarcação para um horizonte sem farol a vista, deixando para trás o esboço da segurança das costas européias, na memória o dia a dia dos afazeres e os figurinos da minha pequena aldeia.
A água aprisionada em grandes jarras e tonéis de madeira não acompanhava mais o balanço enjoativo da caravela.
A catinga impregnada no ar afugentava os saudosos perfumes das comidas caseiras que tentavam em vão se agarrar na memória dos prazeres.
O horizonte não dava trégua, não parava de se abrir e seu vazio começava a embriagar a mente da tripulação.
Horas o vento castigava as velas obesas e as engenharias com tanta força que arremetia o gigante de madeira numa briga vital entre o sólido e o liquido.
Horas o silencio mortal da ausência do vento desperdiçava a cantoria melancólica dos marinheiros e seus medos velados.
Uma gaivota apareceu nos azuis dos infinitos para ressuscitar o mundo dos seres resignados ao Deus dará.
Terra!
Um imenso jacaré deitado no sol barrava o horizonte. Da sua vista nasceu um novo sonho com a possibilidade de encontrar as novidades tão almejadas antes e durante a travessia.
No convés todos olhavam para frente, ninguém queria olhar para trás para esquecer o tempo das duvidas e do isolamento. O cheiro afrodisíaco da terra chegava à nave em ondas leves surfando sobre um mar tranqüilo renovando o ar pesado da casa destacando o perfume azedo próprio a cada um dos viajantes.
A natureza desenrolava um gigantesco tapete sinuoso de areia dourada como para esperar os recém chegados. A vida animava o entardecer com revoadas de pássaros que se espelhavam nas águas escuras do rio, cantos e gritos sacudiam o topo das grandes arvores e seu mundo oculto.
Ao amanhecer um longo corso de figuras se formou saindo e voltando de dentro da mata auxiliar enquanto a tripulação colocava as canoas nas água turquesas do mar.
As pequenas embarcações apenas pousaram sobre a areal, um grito se ouviu da comunidade dos ribeirinhos, Há Me Rica, Há Me Rica...
Nossos olhares espantados se cruzaram: América?
Sorrisos, medos, troca de olhares e toques se repetiram entre os homens durante a manhã inteira.
As índias traziam frutas, raízes, farinhas, grãos e grandes folhas verdes. As crianças traziam uma variedade de peixes e conchas. Por um tempo curto, os homens se retiraram de campo e voltaram com suas caças.
Fogueiras se acenderam como por encanto nas areias finas da praia.
Os peixes, dourados, raias, baiacus, siris e caranguejos, ostras e camarões foram embrulhados nas folhas de bananeiras e depois escondidos na areia e cobertas com cinzas.
As mandiocas raladas, os beijus e tapiocas assados em grandes travessas redondas de barro assentados em pequenos fogareiros, as batatas doces e outras raízes colocadas nas fogueiras, os cocos rachados e as frutas empilhadas. As espigas de milho foram debulhadas e assadas nas chamas do fogo, os jabutis trazidos em pencas assadas nas reminiscências das toras incandescentes. As caças evisceradas, cortadas e espetadas em varas de madeiras verdes e regadas com água do mar, outras eram dispostas mais altas para deixar a fumaça impregnar suas essências de madeira na carne fresca.
O banquete dos frutos da terra estava encaminhado.
Os pacotes verdes desenterrados e abertos com alegria, as mãos alertas retiravam pedaços dos seus conteúdos misturando-os com bocados de mingau de mandioca e beijus. Cheiros diversos exalavam por toda parte, convidando a uma refeição farta, inusitada e diversificada.
As boas vindas estavam dadas
Tem Coca Cola?
Temos Guaraná!
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
ZPedro e seu bacalhau
3 Garrafas de Azeite
1 Dente de Alho por pessoa
2 Kg de Bacalhau dos mares do Norte dessalgado
1 Kg de Cebolas miudas descascadas
5 Folhas de Louro fresco
1 Kg de Batatas novas
1 maço de Couve-manteiga, folhas limpas e sem hastes.
10 Ovos Caipiras cozidos
250 gr de Azeitonas verdes sem caroço
Pimenta do reino moida a gosto
Derramar o azeite numa panela grande, em seguida juntar os dentes de alho e as batatas.
Quinze minutos depois adicionar o loro, as cebolas e deixar cozinhar em fogo baixo por mais quinze minutos.
Adicionar as postas de bacalhau dessalgados, tampar e deixar cozinhar mais 30 minutos.
Deitar as folhas de couve por cima e com delicadeza e ajuda de uma colher de pau mergulhar cada folha no fundo da panela.
Juntar os ovos cozidos, as azeitonas e deixar mais 5 minutos antes de servir.
O autor dessa receita sugere como acompanhamento pão e um bom vinho tinto.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
De volta das férias na Mantiqueira
Fiquei, durante as férias, debaixo de chuva e em cima das nuvens, com os pés fincados nos verdes montes da Serra da Mantiqueira. Como vista, um horizonte desenhado por mansas curvas formadas por pastos e matas nativas, onde se podia assistir todo fim de dia a um rebanho de neblinas sem fim que deslizava em silencio até o anoitecer.
As janelas do meu quarto estavam sempre abertas, sem grades, para desfrutar da segurança e da quietude e permitir aos beija-flores e outros pássaros entrar para secar suas penas num zumbir frenético de asas, cabendo a mim agradecer a natureza por essas visitas-relâmpago.
Antes do fim do ano, desci do meu refugio para assistir à cerimônia da criação do Monumento Natural da Pedra do Baú, com a presença do Governador Alberto Goldman, do Prefeito Ildefonso Mendes Neto, do Secretário do Meio Ambiente Pedro Ubiratan Escorel de Azevedo e do Professor José Pedro de Oliveira Costa, responsável pelo processo de tombamento. Evento comemorado com um almoço preparado por Zépedro, um bacalhau (o legitimo) desalgado durante uma noite a ceu aberto vagamente iluminado por uma lua leitosa, e cozido e mergulhado em 3 vidros de azeite com dentes de alho, batatas, cebolas, azeitonas, couve-manteiga e ovos cozidos.
Melhor terapia impossível para tentar apagar a triste memória da decadência visível sofrida pela Capital do país nesses últimos anos .
No 31 de dezembro à noite, no circuito de noticias “cell-on”, já circulava a informação de que a Estrada Parque, em fase de realização, que leva a Visconde de Mauá, estava fechada por quedas de barreiras.
Quando o clima e a boa vontade das pessoas ajuda, a casa torna-se um verdadeiro centro de cuidados gustativos. Foi exatamente o que aconteceu na casa da Ruth e da Vicky. O lema para as refeições da estadia era escolher só ingredientes das redondezas fornecidos pelos pequenos produtores da região.
Mexidinho de ovos caipiras da Neusa batido com creme de leite fresco e ervas colhidas na horta, pernil de leitão adormecido na pinga e no mel de engenho e assado no forno a lenha, desfiado de trutas defumadas com salada de frutas crocantes e coalhada fresca, presunto defumado assado com geléia de jabuticaba, compota de pêssegos colhidos no pé, queijo fresco orgânico com goiabada-cascão quente saindo direto do tacho de cobre e muito, muito, frisante.
Café expresso bom só na pracinha da cidade no “Trilha do Café”.
A volta a São Paulo foi brindada por uma tarde com o autor,formado em sociologia Ariovaldo Franco festejando com muitos frizantes a quarta edição do livro dele “De Caçador a Gourmet - uma História da Gastronomia”.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Em 2011,lula só frita.
Os chefs de restaurantes brasileiros estão na maior alegria: o verão será mais alegre do que nunca neste país. Em 2011, terão de volta um ingrediente muito apreciado pelo povo, pelas elites e pelos amantes da gastronomia, nos restaurantes, nos kioskes de beira-mar e nos botecos do Rio de Janeiro.
A razão é muito simples: no quesito frutos do mar, os cardapios terão de novo a presença do molusco do mar da classe dos cefalópodes (do grego kephale, cabeça + pous, pé/pés na cabeça). Os cromatóforos possuem, na pele, células que permitem mudança de cor, dependendo do ambiente em que se encontram, o que determina sua capacidade mimetizante. Essa particularidade permite ao molusco, quando ameaçado ou perseguido por inimigos, mudar de cor e ficar transparente para fazer de conta que não está nem aí e, assim, escapar das possiveis ameaças. Como ajuda complementar para estirpar suas vítimas, tem um par de glândulas salivares venenosas.
Para limpar a lula é necessario superar seu proprio asco. O bicho é viscoso, meloso e escorregadio. É preciso enfiar as mãos pelos pés para chegar até a boca do animal, em formato de bico de papagaio afiado, que precisa ser removida com muita atenção. Mesmo morto uma tinta preta pegajosa se libera quando você penetra suas entranhas para limpar as viceras, mais um modo de defesa do animal. Por fim, não se pode deixar de retirar a sua unica estrutura, uma haste cartilaginosa, esqueleto flexível que permite ao bicho se locomover em todos os sentidos, sem constrangimentos.
Ensopado, picadinho, recheado, grelhado ou frito é sempre bom lembrar que o molusco em si tem um sabor insípido: o tempero escolhido pode fazer toda a diferença. Outro senão é o ponto de cozimento do animal. Ele pode ficar borachento ou pastoso e, ingerido em excesso, pode prejudicar sua saúde.
Se antes poderia haver alguma confusão entre o molusco e o dirigente supremo da nação, hoje não há a mínima dúvida: molusco é molusco e ex-presidente é ex-presidente. Ex.
Diretamente de “Banânia”
domingo, 26 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Trocando o tradicional pelo duvidoso
Brasileiro come menos arroz com feijão e mais comida industrializada em casa
Entre 2002-03 e 2008-09, a aquisição média anual per capita (quanto de um produto a família adquire em um ano, dividido pelo número de pessoas da família) caiu 40,5% para o arroz polido (de 24,5 kg para 14,6 kg), feijão, queda de 26,4% (de 12,4 kg para 9,1 kg) e açúcar refinado, de 48,3% (de 6,1 kg para 3,2 kg). No mesmo período, aumentaram, entre outros, o refrigerante de cola (39,3%, de 9,1 kg para 12,7 kg), a água mineral (27,5%, de 10,9 kg para 13,9 kg) e a cerveja (23,2%, de 4,6 kg para 5,6 kg).
A evolução do consumo de alimentos no domicílio no período também indica a queda na participação relativa de itens tradicionais na composição do total médio diário de calorias adquirido pelo brasileiro, como arroz (de 17,4% para 16,2%), feijão (de 6,6% para 5,4%) e farinha de mandioca (de 4,9% para 3,9%), enquanto cresceu a proporção de comidas industrializadas, como pães (de 5,7% para 6,4%), embutidos (de 1,78% para 2,2%), biscoitos (de 3,1% para 3,4%), refrigerantes (de 1,5% para 1,8%) e refeições prontas (de 3,3% para 4,6%).
Pesquisa completa do IBGE
Entre 2002-03 e 2008-09, a aquisição média anual per capita (quanto de um produto a família adquire em um ano, dividido pelo número de pessoas da família) caiu 40,5% para o arroz polido (de 24,5 kg para 14,6 kg), feijão, queda de 26,4% (de 12,4 kg para 9,1 kg) e açúcar refinado, de 48,3% (de 6,1 kg para 3,2 kg). No mesmo período, aumentaram, entre outros, o refrigerante de cola (39,3%, de 9,1 kg para 12,7 kg), a água mineral (27,5%, de 10,9 kg para 13,9 kg) e a cerveja (23,2%, de 4,6 kg para 5,6 kg).
A evolução do consumo de alimentos no domicílio no período também indica a queda na participação relativa de itens tradicionais na composição do total médio diário de calorias adquirido pelo brasileiro, como arroz (de 17,4% para 16,2%), feijão (de 6,6% para 5,4%) e farinha de mandioca (de 4,9% para 3,9%), enquanto cresceu a proporção de comidas industrializadas, como pães (de 5,7% para 6,4%), embutidos (de 1,78% para 2,2%), biscoitos (de 3,1% para 3,4%), refrigerantes (de 1,5% para 1,8%) e refeições prontas (de 3,3% para 4,6%).
Pesquisa completa do IBGE
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Chef José Carlos Baratino abraça a Gastronomia Sustentável.
EMILIANO PROMOVE A SUSTENTABILIDADE
DA SUA CADEIA DE PRODUÇÃO DE ALIMENTOS
A marca Emiliano conhecida nacionalmente por sua constante inovação, inicia o ano de 2010 com uma iniciativa ambiciosa. Motivado pela necessidade de transformar o ambiente ao seu redor, o Restaurante Emiliano desenvolveu parcerias e ações visando à sustentabilidade de sua cadeia de produção de alimentos.
Após intensa exploração de técnicas culinárias, o inovador Chef José Barattino decidiu aproximar a sua cozinha da terra e junto a pequenos produtores rurais, com quem vem trabalhando no último ano, elaborou um plano de fortalecimento dos três principais pilares da cadeia de produção, isto é, o produtor, o produto e o consumidor final.
O projeto “Sustentabilidade da Cadeia de Produção” engloba aspectos econômicos, sociais e ambientais dos três principais agentes envolvidos. Assim, em parceria com o Sr. Dercílio Pupin, da Fazenda Pereiras e líder da Família Orgânica, uma articulação de produtores rurais do interior de São Paulo, o Emiliano listou ações que irão se desenvolver em três etapas principais.
A primeira delas, já em andamento, é voltada ao incentivo direto à agricultura familiar e à geração de demanda através da inserção crescente de produtos orgânicos, biodinâmicos e agro-florestais na lista de compras do restaurante. A matéria orgânica, resultante da coleta seletiva interna do restaurante, já funciona como matéria-prima para a compostagem e produção de adubo utilizada na fazenda.
O próximo passo, visando a defesa do patrimônio cultural, se baseia no desenvolvimento conjunto de novos produtos, incluindo a pesquisa, produção e utilização de plantas não-convencionais, a retomada do plantio de produtos que caíram em desuso e conseqüentemente a preservação de espécies em extinção.
Como orientador da terceira fase, o Emiliano dará suporte em ações que visem à conscientização do consumidor e à manutenção da saúde, principalmente do público infantil, em palestras e visitas às fazendas produtoras. O Emiliano dará suporte na divulgação do serviço de “delivery”, em que as compras de orgânicos dos consumidores finais, feitas pelo site da Familia Organica, serão entregues em casa.
O Emiliano pretende estender ainda mais os benefícios desta parceria já que um dos objetivos é a viabilização da “Feira do Pequeno Produtor”, uma ação com o intuito de conscientizar o público sobre a importância da boa alimentação e colocá-lo em contato direto com o pequeno produtor orgânico. Esta feira traduz o grande sonho de seu idealizador, José Barattino: “Nós, do Restaurante Emiliano, não podemos utilizar os mesmos ingredientes que todos usam. O certo seria que todos tivessem acesso aos ingredientes que usamos.”
DA SUA CADEIA DE PRODUÇÃO DE ALIMENTOS
A marca Emiliano conhecida nacionalmente por sua constante inovação, inicia o ano de 2010 com uma iniciativa ambiciosa. Motivado pela necessidade de transformar o ambiente ao seu redor, o Restaurante Emiliano desenvolveu parcerias e ações visando à sustentabilidade de sua cadeia de produção de alimentos.
Após intensa exploração de técnicas culinárias, o inovador Chef José Barattino decidiu aproximar a sua cozinha da terra e junto a pequenos produtores rurais, com quem vem trabalhando no último ano, elaborou um plano de fortalecimento dos três principais pilares da cadeia de produção, isto é, o produtor, o produto e o consumidor final.
O projeto “Sustentabilidade da Cadeia de Produção” engloba aspectos econômicos, sociais e ambientais dos três principais agentes envolvidos. Assim, em parceria com o Sr. Dercílio Pupin, da Fazenda Pereiras e líder da Família Orgânica, uma articulação de produtores rurais do interior de São Paulo, o Emiliano listou ações que irão se desenvolver em três etapas principais.
A primeira delas, já em andamento, é voltada ao incentivo direto à agricultura familiar e à geração de demanda através da inserção crescente de produtos orgânicos, biodinâmicos e agro-florestais na lista de compras do restaurante. A matéria orgânica, resultante da coleta seletiva interna do restaurante, já funciona como matéria-prima para a compostagem e produção de adubo utilizada na fazenda.
O próximo passo, visando a defesa do patrimônio cultural, se baseia no desenvolvimento conjunto de novos produtos, incluindo a pesquisa, produção e utilização de plantas não-convencionais, a retomada do plantio de produtos que caíram em desuso e conseqüentemente a preservação de espécies em extinção.
Como orientador da terceira fase, o Emiliano dará suporte em ações que visem à conscientização do consumidor e à manutenção da saúde, principalmente do público infantil, em palestras e visitas às fazendas produtoras. O Emiliano dará suporte na divulgação do serviço de “delivery”, em que as compras de orgânicos dos consumidores finais, feitas pelo site da Familia Organica, serão entregues em casa.
O Emiliano pretende estender ainda mais os benefícios desta parceria já que um dos objetivos é a viabilização da “Feira do Pequeno Produtor”, uma ação com o intuito de conscientizar o público sobre a importância da boa alimentação e colocá-lo em contato direto com o pequeno produtor orgânico. Esta feira traduz o grande sonho de seu idealizador, José Barattino: “Nós, do Restaurante Emiliano, não podemos utilizar os mesmos ingredientes que todos usam. O certo seria que todos tivessem acesso aos ingredientes que usamos.”
Jornal do Senado, 7 de dezembro 2010
OMS estima que país perderá cerca de US$ 60 bilhões até 2015 devido ao impacto nos seus gastos com doenças crônicas não transmissíveis provocadas principalmente por maus hábitos alimentares e sedentarismo.
Marisa Serrano defende mais restrições que as da resolução da Anvisa que entra em vigor neste mês.
Matéria completa no site do Jornal do Senado
Marisa Serrano defende mais restrições que as da resolução da Anvisa que entra em vigor neste mês.
Matéria completa no site do Jornal do Senado
sábado, 4 de dezembro de 2010
MAO, museu de excelência
Ofícios da Conservação e Transformação dos Alimentos
Você já ouviu falar do MAO, não o chinês, mas o Museu de Artes e Ofícios, localizado na Praça da Estação, no centro de Belo Horizonte?
A Estação Central de Belo Horizonte, entre o vai e vem de trens de passageiros, trens de carga, bem como milhares de usuários do metrô, abriga um dinâmico museu de excelência em homenagem aos trabalhadores manuais e sua criatividade. Traz o registro dos vários ofícios que permitiram o desenvolvimento do Estado de Minas Gerais, retrato dos afazeres no período pré-industrial.
Ofícios do fogo, da madeira, da cerâmica, da terra, das energias, do fio e do tecido... e os ofícios da conservação e transformação dos alimentos.
Neste século de desenvolvimento tecnológico de ponta, era preciso encontrar uma linguagem museológica e educativa, apoiada numa pesquisa rigorosa (credibilidade), aproveitando os recursos inovadores da comunicação para dinamizar, seduzir e atrair o público de todas as idades. Célia Corsino deu conta do recado, ao tirar do papel um projeto ousado para apresentar ao público uma vasta e diversificada coleção de peças, registro material em forma de madeiras, ferros, couros, pedras, de uma época recente.
Precisamos ressaltar a clarividência de Flávio Gutierrez , em meados do século XX, de coletar peças considerados sem maior interesse cultural e da iniciativa privada de Ângela, sua filha, por valorizar e compartilhar este patrimônio com o público.
Cada ofício apresenta o ciclo completo, da matéria prima ao objeto criado, no seu passo a passo visível e valorizado, com suas influências diretas e indiretas na comunidade e na região. Nada de cheiro de mofo, de velho, de obsoleto, de ranço, mas uma interação entre o público e os temas apresentados. A tecnologia da mídia atual é utilizada como suporte e fio condutor para entendimento e esclarecimento do visitante.
Seria incompreensível, na história recente, pular de um período ao outro sem conhecer e reconhecer o valor das invenções, modificações e transformações ocorridas, que contribuíram para a formação e o desenvolvimento da sociedade local.
No conjunto de Ofícios da Conservação e Transformação dos Alimentos, destacam-se três temas representativos da identidade gastronômica nacional,a rapadura, a mandioca e sua farinha e a produção artesanal do queijo à base de leite cru.
A exposição, instrumentos e utensílios de trabalho, na área dos Ofícios da Conservação e Transformação dos Alimentos, evidencia a particularidade do material utilizado na confecção dos utensílios necessários para a manufatura de produtos derivados do leite e a fabricação da farinha de mandioca. Ponto crucial para entender a necessidade de resgatar e proteger essas matérias, sem entrar na perseguição mercantilista exercitada pelos lobistas das indústrias que querem acabar com os tachos de cobre, as colheres e tábuas de madeira, panelas de fero, barro ou pedra.
O artesão dos sabores tem que ser respeitado pelo diferencial de sua produção, valorizado e protegido por leis distintas e, assim, vai ser possível salvar o patrimônio, a diversidade e a particularidade de cada região, já que ele se responsabiliza diretamente com sua assinatura no fruto da sua produção. A possibilidade de esconder um defeito de fabricação é diretamente ligada à personalidade do produtor. Não se pode esconder a responsabilidade da indústria alimentícia na explosão da obesidade na população brasileira, nessas ultimas três décadas. Permitir ao consumidor a escolha dos produtos é um ato de liberdade, estamos caminhando para um atentado à liberdade com o lema de que o produto alimentício industrial é seguro, saudável e inquestionável.
(Ler artigo:Anvisa aos consumidores: tem “veneno” nos alimentos industriais.)
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Anvisa aos consumidores: tem "veneno" nos alimentos industrializados

estadão.com .br
BRASÍLIA - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apresentou nesta quinta-feira, 18, um estudo que mostra a quantidade de sódio, gordura saturada, gordura trans e açúcares em mais de 20 categorias de alimentos industrializados.
Veja também:
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Os dados revelam que a quantidade desses nutrientes varia significativamente de acordo com a marca. No caso da batata palha, um produto contém 14 vezes mais sódio que o de outro fabricante. Nos salgadinhos de milho, essa diferença chega a 12,5.
O caso do macarrão instantâneo com tempero também chamou atenção pela grande quantidade de sódio encontrada. “Em algumas amostras, ficou constatado que, ao comer uma única porção desse alimento, a pessoa está ingerindo 167% do sódio recomendado para ser consumido durante todo dia”, explica a diretora da Anvisa, Maria Cecília Brito.
Quando analisados isoladamente, o macarrão instantâneo e os temperos, além da grande quantidade de sódio, apresentam uma oscilação expressiva desses teores de marca para marca. A variação chega a 7,5 nos macarrões e a 7,2 nos temperos.
De acordo com Maria Cecília, essa distinção nas várias marcas de alimentos comprova que a indústria pode produzir alimentos mais saudáveis. “Vamos encaminhar essa pesquisa ao Ministério da Saúde, para que seja pactuado entre o governo federal e as indústrias de alimentos uma redução das quantidades de gorduras, açúcar e sal nos alimentos processados”, afirma a diretora da Anvisa.
Bebidas
A pesquisa da Anvisa apontou, ainda, que os níveis de sódio dos refrigerantes de baixa caloria, tanto à base de cola quanto de guaraná, têm maiores valores de sódio em relação aos refrigerantes comuns. Nos de cola, a média de teor encontrada foi de 54 mg/l, enquanto nos de cola de baixa caloria essa média foi de 97 mg/l.
Nos refrigerantes de guaraná, os valores médios de sódio encontrados no produto convencional e no de baixa caloria foram de 81 mg/l e 147 mg/l, respectivamente. “Esses valores mais altos podem ser explicados pelo uso de aditivos, como o ciclamato de sódio, nos produtos de baixa caloria. Entretanto, é preciso considerar que existem limites estabelecidos e que a quantidade dessas substâncias não representa um risco para a saúde”, pondera Maria Cecília.
No caso dos sucos (bebidas com concentração de polpa de fruta entre 30 e 50%), a pesquisa indicou menor quantidade de açúcar nas amostras de manga (9,8g/100ml) e maior nas de uva (14,5 g/100 ml). Já para os néctares (bebidas com concentração de polpa entre 20% e 30%), os menores índices de açúcares totais foram encontrados nos sabores de laranja, maçã e pêssego, com uma média em torno de 11g/100ml. Já os néctares de uva são os campeões em teores de açúcares totais, com índices que chegam a 14g/100ml.
Gorduras
Para gorduras saturadas, chama atenção a grande quantidade de marcas de alimentos com teores superiores à média encontrada na respectiva categoria. No caso das batatas fritas, 17 das 28 marcas analisadas estavam com teores de gordura saturada acima da média.
Nas batatas palhas, 55% das marcas analisadas estavam com valores superiores à média desse nutriente para o produto. Já nos salgadinhos de milho, o maior valor encontrado de gordura saturada (2,6g/25g) foi dez vezes maior que o valor mínimo (0,25g/25g).
Nos biscoitos, o que apresentou os maiores teores de gorduras, tanto saturadas quanto trans, foram os de polvilho. “Com essas informações em mãos, que apontam tanto uma variação de nutrientes dentro de uma mesma categoria de alimentos quanto entre categorias diferentes, fica mais clara a necessidade de o consumidor observar com atenção as tabelas nutricionais nos rótulos dos alimentos e optar pelos mais saudáveis”, orienta a diretora da Anvisa.
Fortificação de farinhas
O estudo também avaliou o teor de ferro nas farinhas de trigo e de milho. O objetivo foi verificar se a fortificação obrigatória dessas farinhas com ferro e ácido fólico estava sendo cumprida. De acordo com a Resolução RDC 344/2002 da Anvisa, a cada 100g de farinhas de trigo e de milho, deve haver no mínimo 4,2 mg de ferro.
Os resultados apontaram que 87% das amostras de farinha, fubá e floco de milho apresentaram teor de fero inferior ao determinado. Já na farinha de trigo, 54% das amostras tiveram resultados insatisfatórios.
Dados
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 60% das 56,5 milhões de mortes notificadas no mundo em 2001 foram resultado de doenças crônicas não-transmissíveis. Além disso, o aumento da pressão arterial no mundo é o principal fator de risco de morte e o segundo de incapacidades por doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal.
Já dados do IBGE indicam que, em 2009, uma em cada três crianças brasileiras na faixa de 5 a 9 anos estava com sobrepeso, enquanto a obesidade atingia 16,6% dos meninos e 11,8% das meninas. Durante o período de 1974 a 2009, a prevalência de sobrepeso em crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos passou de 3,7% para 21,7% no sexo masculino e de 7,6% para 19,4% no feminino. Nesse mesmo período, o sobrepeso na população adulta masculina passou de 18,5% para 50,1%, enquanto na feminina foi de 28,7% para 48%.
Veja ainda:
Tabela com o total de sódio encontrado pela Anvisa
Total de gorduras saturadas
Total de açúcares
Valores de referência
*Com informações da Agência Brasil e do site da Anvisa
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